As tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos de diversos países, incluindo a China, devem impactar parcialmente a cadeia de suprimentos da indústria fotovoltaica chinesa no exterior. Especialistas ouvidos pelo Yicai Global afirmam que o efeito dependerá da duração dessas tarifas e de eventuais medidas de retaliação dos países afetados.
O presidente Donald Trump anunciou, em 03 de abril, o novo pacote de Tarifas Recíprocas dos EUA, com uma tarifa base mínima de 10% para todos os parceiros comerciais. As medidas entram em vigor no dia 5 de abril. A alíquota sobre a China será de 34%, enquanto a Indonésia terá 32%, a Tailândia 36%, o Vietnã 46% e o Camboja 49%. Uma segunda rodada de tarifas, com descontos para países com maior déficit comercial com os EUA, começará em 9 de abril.
Apesar da nova taxa sobre produtos chineses, Zhong Baoshen, presidente da Longi Green Energy Technology, avaliou que o impacto direto na indústria fotovoltaica da China será limitado. Segundo ele, restrições comerciais anteriores já reduziram a quase zero o volume de exportações diretas de painéis solares chineses para os Estados Unidos.
No entanto, empresas chinesas transferiram parte da produção para o Sudeste Asiático nos últimos anos e consolidaram cadeias produtivas fora da China. Como os EUA importam a maior parte de seus módulos e células solares da região, as novas tarifas sobre países como Vietnã, Tailândia e Camboja devem elevar os custos de fornecimento.
“Isso aumentará o custo de produção para atender ao mercado norte-americano”, disse um representante de uma fabricante chinesa de painéis solares. “Além disso, como os EUA têm capacidade limitada para produzir células fotovoltaicas de alta eficiência, os preços no mercado americano devem subir ainda mais.”
Em relatório divulgado nesta semana, o banco de investimentos SPDB International Holdings, de Hong Kong, afirmou que as tarifas elevadas podem não se manter por muito tempo. “Diante do impacto potencial sobre a economia dos EUA, o governo pode adiar ou reduzir as tarifas de alguns países após negociações. Ainda assim, a tarifa mínima de 10% deve continuar valendo para a maioria dos parceiros comerciais”, informou o relatório.
Em 2023, empresas chinesas como Longi, Jinko Solar, Trina Solar e JA Solar anunciaram planos para instalar fábricas nos EUA. A Longi, com sede em Xi’an, está construindo uma planta de 5 gigawatts em Ohio, em parceria com a empresa americana Invenergy. A unidade será voltada à produção de módulos PERC (Passivated Emitter and Rear Cell), voltados ao mercado americano.
“O mercado dos EUA é estratégico, mas envolve fatores geopolíticos complexos”, disse um porta-voz da Longi. Nos últimos dois anos, o preço dos painéis solares nos EUA tem sido três vezes maior que em outros mercados globais.
Tradução: Mei Zhen Li
Fonte: Yicai Global