30 de abril de 2026
A Administração do Ciberespaço da China lançou uma campanha nacional de quatro meses para fiscalizar serviços e aplicações de inteligência artificial. A iniciativa busca impor regras ao setor, corrigir falhas operacionais e o uso da IA na produção de conteúdo ilegal. Segundo o órgão regulador, a ação será dividida em duas etapas. A primeira mira irregularidades técnicas e de conformidade em plataformas de IA . Já a segunda foca no uso dessas ferramentas para produzir e disseminar conteúdo ilegal ou enganoso. Na fase inicial, a autoridade identifica falhas recorrentes. Entre elas, empresas que operam modelos de grande escala sem registro obrigatório, em desacordo com as regras vigentes. Também aparecem problemas na filtragem de conteúdo, que permitem a geração ou armazenamento de material ilegal. Além disso, há falhas na origem dos dados usados no treinamento dos modelos, com uso de conteúdos não autorizados ou sem verificação adequada. Outro ponto envolve o chamado “envenenamento de dados”, quando agentes manipulam bases de treinamento ou informações públicas para distorcer respostas de sistemas de IA. A ausência de checagem de fontes e de alertas de risco agrava esse cenário. O regulador também aponta descumprimento das normas de identificação de conteúdo sintético, o que dificulta distinguir textos, imagens e vídeos gerados por IA. A lista inclui ainda o uso indevido dessas tecnologias em atividades ilegais. Casos relatados envolvem ataques cibernéticos, clonagem de voz e imagem sem autorização e uso de avatares digitais para oferecer serviços como consultoria financeira ou médica sem validação. Plataformas de código aberto também entram no radar por falta de controle sobre dados e modelos disponibilizados. Na segunda fase, o foco muda para o conteúdo gerado. O órgão cita a produção em massa de material considerado “lixo digital”, com erros factuais ou distorções culturais. Também há preocupação com a criação de notícias falsas sobre políticas públicas, crises e relações internacionais, muitas vezes com uso de identidade visual de instituições oficiais para dar aparência de legitimidade. Outro problema recorrente envolve a geração de conteúdo em áreas sensíveis, como saúde, direito e finanças, sem base verificável. A prática de se passar por terceiros com uso de IA, por meio de troca de rosto ou voz, também aparece como prioridade, sobretudo quando envolve figuras públicas ou uso indevido de imagens, inclusive de pessoas falecidas. A campanha também prevê punição para conteúdos violentos, sexualizados ou inadequados, além de casos que envolvam menores, como cyberbullying ou produção de material impróprio. O uso de sistemas automatizados para operar contas falsas, inflar engajamento e manipular debates públicos completa a lista de alvos. A autoridade aponta irregularidades comerciais, como aplicativos falsos de IA, serviços ilegais e cursos que ensinam práticas proibidas. Plataformas que descumprirem as regras poderão sofrer sanções, assim como contas e redes de distribuição envolvidas. O órgão orienta administrações locais a reforçar a fiscalização, exigir auditorias internas das plataformas e corrigir falhas identificadas. A meta é estabelecer mecanismos permanentes de controle e reduzir riscos associados ao uso de inteligência artificial no ambiente digital chinês. Fonte: stdaily
27 de fevereiro de 2026
Pesquisadores do Instituto de Automação da Academia Chinesa de Ciências e da Universidade de Pequim anunciaram no dia 27 o desenvolvimento de uma nova arquitetura de rede neural chamada CATS Net. O estudo foi publicado online na revista Nature Computational Science. A proposta busca permitir que sistemas de inteligência artificial formem conceitos de maneira autônoma, aproximando seu funcionamento de processos cognitivos humanos. A equipe parte de um problema central: humanos conseguem extrair conceitos abstratos a partir de experiências sensoriais concretas, enquanto sistemas de IA ainda enfrentam limitações nesse processo. Modelos tradicionais concentram conhecimento em grande volume de parâmetros, o que dificulta a interpretação, ou dependem de grandes bases de dados linguísticos para treinamento, o que restringe a formação independente de conceitos. Para enfrentar esse desafio, os pesquisadores criaram a CATS Net com dois módulos principais: abstração de conceitos e resolução de tarefas. No processamento de tarefas visuais, o módulo de abstração converte dados visuais de alta dimensão em vetores de conceito compactos. Em seguida, o sistema ajusta a atividade do módulo de resolução por meio de um mecanismo de controle, direcionando a execução da tarefa. Segundo os autores, essa dinâmica reproduz um processo bidirecional observado na cognição humana: o indivíduo extrai conceitos da experiência e utiliza esses conceitos para orientar ações posteriores. Nos testes realizados, o sistema gerou novos conceitos a partir da interação com o ambiente e estruturou um espaço conceitual próprio. Quando pesquisadores alinharam os espaços conceituais de diferentes redes, os sistemas transferiram conhecimento diretamente por meio de vetores conceituais, sem reiniciar o aprendizado. O resultado simula a comunicação humana mediada por linguagem. A equipe também comparou as representações conceituais da CATS Net com dados de atividade cerebral humana obtidos por ressonância magnética funcional. A análise indicou correlação entre o espaço conceitual da rede e modelos psicológicos de cognição semântica. Além disso, os padrões representacionais apresentaram associação com a atividade do córtex occipitotemporal ventral, área ligada à compreensão semântica visual. O mecanismo de controle dinâmico da rede também mostrou correspondência com padrões da rede de controle semântico do cérebro, responsável pela recuperação de conceitos. Yu Shan, pesquisador do Instituto de Automação e coautor do estudo, afirmou que o trabalho oferece um modelo computacional para investigar a cognição conceitual humana e pode contribuir para o desenvolvimento de sistemas de IA com capacidade de formar conceitos de modo independente. Segundo os autores, a ampliação dessa capacidade pode apoiar aplicações em áreas como exploração científica. Eles também destacam que o alinhamento desses sistemas com valores humanos deve orientar pesquisas futuras. Fonte: stdaily
5 de fevereiro de 2026
A China ampliou sua vantagem na corrida global por inteligência artificial ao combinar alta capacidade de geração de energia com expansão de fontes renováveis. Em 2025, o país alcançou 3,89 bilhões de kW de capacidade instalada e consumo recorde de 10,37 trilhões de kWh, segundo a Administração Nacional de Energia. O volume sustenta a expansão de data centers, base do treinamento e da operação de sistemas de IA. O debate ganhou força após o CEO da Tesla, Elon Musk , afirmar no Fórum Econômico Mundial de Davos, em janeiro de 2026, que a limitação no fornecimento de energia é hoje o principal gargalo para o avanço da IA nos Estados Unidos. Segundo ele, esse entrave é menor na China. O consumo de eletricidade chinês em 2025 cresceu 5,0% em um ano e superou o dobro do consumo anual dos Estados Unidos, além de ficar acima da soma de União Europeia, Rússia, Índia e Japão. O setor de serviços puxou o avanço, com alta de 8,2%. Dentro desse grupo, o consumo dos setores ligados a tecnologia da informação e data centers cresceu 17,0% e somou 193,3 bilhões de kWh, quase 10% do total do setor terciário. A expansão da infraestrutura digital também aparece em polos regionais. Em Hangzhou, o consumo de eletricidade de cerca de 100 data centers em operação cresceu 47,2% em 2025. Em Guizhou, estado que concentra projetos do programa “East Data, West Computing”, o consumo de serviços de internet subiu 95,01% no mesmo período. No fornecimento, as fontes não fósseis chegaram a 61,7% da capacidade instalada em 2025. A energia solar atingiu 1,2 bilhão de kW e a eólica, 640 milhões de kW. A projeção para 2026 é de 4,3 bilhões de kW de capacidade total, com eólica e solar próximas de metade da matriz. A capacidade solar deve superar a do carvão pela primeira vez. Dados da Agência Internacional de Energia indicam que Estados Unidos e China lideram o consumo global de eletricidade em data centers. O Instituto de Informação e Comunicação da China estima que o consumo desses centros no país pode chegar a até 700 bilhões de kWh em 2030. A combinação de alta oferta de energia e preços mais baixos tende a favorecer a instalação de infraestrutura de computação no país. Apesar da vantagem, a China ainda enfrenta desafios. As fontes renováveis se concentram no oeste, enquanto os grandes data centers ficam no leste. O país precisa ampliar a capacidade de transmissão e o uso de sistemas de armazenamento para equilibrar oferta e demanda. Ao mesmo tempo, a própria IA já é usada para otimizar a operação da rede elétrica, o que pode reforçar a eficiência do sistema no médio prazo. Fonte: sina.com.cn