18 de março de 2026
Até 2030, a China terá entre 150 e 200 milhões de domicílios ocupados por apenas uma pessoa, segundo relatório do Instituto de Pesquisa Beike, uma plataforma de informações e análises imobiliárias. Dentro desse grupo, o número de jovens adultos de 20 a 39 anos que vivem sozinhos deverá chegar a 40–70 milhões, indicando que uma parcela significativa desse fenômeno está concentrada na faixa etária economicamente ativa. Em comparação, em 2002 apenas 2,5% das residências eram de ocupação individual. O aumento acompanha mudanças estruturais na sociedade chinesa, como expansão urbana, envelhecimento populacional e novas escolhas de estilo de vida entre jovens adultos, que têm levado a uma maior preferência por morar sozinho, principalmente nas grandes cidades. O crescimento de residências com uma única pessoa ocorre em um momento crítico para a demografia chinesa. Em 2025, a população total da China caiu pelo quarto ano consecutivo, com uma redução de 3,39 milhões de habitantes, segundo dados oficiais do National Bureau of Statistics. Isso reduziu o total para cerca de 1,4049 bilhão de pessoas, enquanto o número de nascimentos atingiu o menor nível desde o início dos registros modernos, cerca de 7,92 milhões, diante de 11,31 milhões de mortes, levando a um crescimento natural negativo. Do crescimento urbano à vida solo O aumento de domicílios unipessoais ocorre junto à urbanização acelerada. Milhões de jovens migraram de cidades menores para centros urbanos em busca de trabalho, vivendo sozinhos por períodos prolongados. Ao mesmo tempo, os hábitos culturais vêm mudando: jovens chineses estão adiando casamento e maternidade/paternidade e priorizam autonomia e desenvolvimento pessoal. De acordo com reportagem da TIME, jovens adultos na China estão focados na carreira e na própria qualidade de vida, frequentemente submetidos a jornadas longas de trabalho, como o modelo “996” (9h às 21h, seis dias por semana). Essa combinação de fatores aumenta a procura por residências compactas, próximas a centros de emprego e adaptadas para a vida de uma única pessoa. Ferramentas digitais para uma vida solo O fenômeno também gerou novas soluções tecnológicas. Um exemplo é o aplicativo “Si Le Me” (死了么, “Você morreu?”), lançado em 2025 e se tornou o app pago mais baixado na China recentemente. A plataforma exige que usuários que vivem sozinhos façam check-in a cada dois dias. Se não confirmarem presença, contatos de emergência são notificados. O sucesso do app evidencia uma preocupação crescente com segurança e acompanhamento social entre moradores solos, especialmente quando familiares moram em cidades distantes. Empresas de tecnologia responderam a essa demanda oferecendo serviços de monitoramento, assistência a idosos e soluções para quem vive sozinho. Legislação e mercado interno Apesar do crescimento dos domicílios unipessoais, o governo chinês ainda mantém políticas voltadas para a promoção da família tradicional, incentivando o casamento e o aumento da natalidade. A legislação habitacional, no entanto, acompanha a realidade do mercado. Em grandes centros urbanos, construtoras passaram a oferecer apartamentos menores, pensados para uma pessoa, com preços compatíveis com salários de jovens profissionais. O setor imobiliário e serviços correlatos têm adaptado produtos para esse público, incluindo móveis compactos, kits de alimentação individual e serviços de entrega adaptados. Plataformas de e-commerce como Ele.me e Meituan ajustam ofertas considerando consumidores que moram sozinhos, promovendo conveniência e praticidade. Fatores demográficos e sociais Além da migração e da escolha de vida independente, o envelhecimento populacional contribui para o aumento de domicílios de uma pessoa. Idosos que vivem sozinhos, após a morte do cônjuge ou com filhos distantes, representam um segmento crescente. Especialistas apontam que o envelhecimento combinado com o menor tamanho médio das famílias altera padrões de consumo e demanda por serviços de saúde e segurança. A mudança cultural entre jovens também é relevante. O individualismo e a priorização de interesses próprios, vistos como um movimento global, se refletem na China em hábitos de consumo e estilo de vida, fortalecendo a demanda por produtos e serviços voltados a moradores solos.
30 de agosto de 2024
A Comissão Nacional de Saúde e Planejamento Familiar divulgou o “Relatório Estatístico sobre o Desenvolvimento da Saúde e Bem-Estar na China em 2023”, em que mostra que a expectativa de vida per capita no país atingiu 78,6 anos. A taxa de mortalidade materna caiu para 15,1 por 100.000 nascimentos, e a taxa de mortalidade infantil caiu para 4,5 por mil. Ambos os índices são os melhores da história. O relatório indica que a quantidade total de recursos de saúde na China continua a crescer de forma estável. No final de 2023, o número total de instituições de saúde e medicina no país era de 1.070.785, um aumento de 37.867 unidades em relação ao ano anterior. Esse número inclui 38.355 hospitais, que aumentaram em 1.379 unidades. Em 2023, a quantidade de leitos de instituições de saúde por mil habitantes atingiu 7,23 unidades. No final de 2023, o número total de profissionais de saúde era de 12.488.000, um aumento de 830.000 profissionais em relação ao ano anterior, dos quais 7.723.000 eram profissionais de saúde em hospitais. Em 2023, havia 3,40 médicos (assistentes) registrados por mil habitantes, 4,00 enfermeiros registrados por mil habitantes e 3,99 médicos de atenção primária por dez mil habitantes. De acordo com o relatório, a quantidade e a eficiência dos serviços de saúde na China melhoraram simultaneamente. Em 2023, o número total de atendimentos realizados nas instituições de saúde foi de 9,55 bilhões, um aumento de 1,13 bilhão em relação ao ano anterior, com os residentes visitando instituições de saúde uma média de 6,8 vezes; o número de internações foi de 301,873 milhões, um aumento de 55,011 milhões em relação ao ano anterior. Em 2023, o número de atendimentos em hospitais de saúde rural foi de 1,31 bilhão, um aumento de 100 milhões em relação ao ano anterior; o número de internações foi de 39,921 milhões, um aumento de 7,53 milhões. Os centros de serviços de saúde comunitária tiveram 830 milhões de atendimentos, com 4,804 milhões de internações; as estações de saúde comunitária tiveram 210 milhões de atendimentos. As salas de saúde nas aldeias tiveram 1,4 bilhão de atendimentos, um aumento de 120 milhões em relação ao ano anterior. O relatório também mostra que houve um leve controle nos custos médicos por atendimento. Em 2023, o custo médio de internação hospitalar foi de RMB 10.315,80, uma queda de 5,2% em preços comparáveis; o custo médio de atendimento ambulatorial foi de RMB 361,60, um aumento de 5,3% em preços comparáveis. O total de despesas de saúde no país foi estimado em RMB 9,05758 trilhões, dos quais 26,7% foram gastos pelo governo, 46,0% foram gastos pela sociedade e 27,3% foram gastos pelos indivíduos. O gasto médio com saúde por pessoa foi de RMB 6.425,30, e as despesas totais de saúde representaram 7,2% do PIB. No que diz respeito aos serviços de medicina tradicional chinesa, controle de doenças e trabalho de saúde pública, o relatório mostra que, em 2023, o número total de instituições de saúde de medicina tradicional chinesa era de 92.531, um aumento de 12.212 em relação ao ano anterior. O número de leitos aumentou em 144.000; o número total de profissionais de saúde em medicina tradicional chinesa era de 1.045.000, um aumento de 126.000; o total de atendimentos foi de 1,54 bilhão, um aumento de 310 milhões em relação ao ano anterior. Fonte: people.com.cn
11 de julho de 2024
Este é um resultado da melhoria do nível de saúde da população recém-nascida da China - em comparação com 5 anos atrás, a taxa de mortalidade infantil com menos de 5 anos de idade e a taxa de mortalidade de crianças causadas por doenças congênitas diminuíram em mais de 30% em todo o país, e a incidência de doenças congênitas graves que causam deficiências, como problemas no tubo neural e síndrome de Down, diminuíram em cerca de 23%. Por trás da queda dos dados de defeitos congênitos na China, estão os dados crescentes de exames e triagens: a porcentagem de exame de pré-natal em todo o país atingiu 96,9%, a taxa de triagem pré-natal durante a gravidez atingiu 91,3%, e as taxas de triagem de doenças metabólicas hereditárias e deficiência auditiva neonatal chegaram a 98%. Shen Haiping, diretora do Departamento de Saúde Materna e Infantil da Comissão Nacional de Saúde, informou que atualmente, a triagem de doenças metabólicas hereditárias neonatais é amplamente realizada em todo o país, na esperança de detectar precocemente crianças com fenilcetonúria. Se essas crianças receberem leite em pó especial a tempo, pode reduzir efetivamente os danos na inteligência, até atingir o nível normal na maioria delas. Além disso, a triagem de deficiência auditiva neonatal pode identificar precocemente crianças com problemas auditivos, e através do diagnóstico precoce, intervenção precoce e reabilitação precoce, como a instalação de aparelhos auditivos, implante de cocleares e treinamento da linguagem, pode reduzir efetivamente a ocorrência de “surdez” e “mudez”. Melhorar a taxa de conhecimento da prevenção e controle entre a população em idade fértil, fortalecer o controle preventivo dos fatores de risco, padronizar a triagem pré-natal e o diagnóstico pré-natal, promover a triagem e o diagnóstico de doenças neonatais e o tratamento. Focando em várias etapas, a estratégia de prevenção e controle integrada de defeitos congênitos da China continua a avançar passo a passo, e a capacidade de prevenção e controle continua a melhorar. De acordo com o “Plano de Aumento da Capacidade de Prevenção e Controle de Defeitos Congênitos (2023-2027)” emitido pela Comissão Nacional de Saúde, a China também deve acelerar a construção de uma cadeia de prevenção e controle mais completa que cubra os residentes urbanos e rurais e abranja as etapas de pré-casamento, pré-natal, neonatal e infantil. De acordo com esse plano, até 2027, um número de defeitos congênitos graves que causam morte e deficiência serão efetivamente controlados, e as taxas de mortalidade infantil causadas por defeitos congênitos e de crianças com menos de 5 anos de idade em todo o país serão reduzidas para abaixo de 1,0‰ e 1,1‰, respectivamente. Fonte: gov.cn
1 de julho de 2024
Muitos acadêmicos dentro e fora da China acreditam que o envelhecimento da população levará inevitavelmente a uma queda significativa na taxa de crescimento do país no futuro. Especialistas do Fundo Monetário Internacional previram recentemente que a taxa de crescimento potencial da China pode cair para cerca de 3% até 2030. A taxa de crescimento potencial da economia é a soma do crescimento da população trabalhadora e do crescimento da produtividade do trabalho . Portanto, a contração do número de trabalhadores, se não for compensada pelo aumento da produtividade do trabalho, reduzirá a taxa de crescimento potencial da economia, e o país pode ter o problema de “envelhecer antes de enriquecer”, o que trará pressão sobre os recursos fiscais e a estabilidade social. Apesar do envelhecimento da população, a melhora na nutrição e educação da nova geração em comparação com a anterior, levará uma melhora também na qualidade da mão de obra na China. Ou seja, o estoque de capital humano do país não apenas não diminuirá nos próximos 10 anos, mas, ao contrário, crescerá aceleradamente, o que certamente estabelecerá uma base mais sólida de talentos para a inovação científica e tecnológica e promoverá a ascensão simultânea da produtividade total dos fatores e da produtividade do trabalho. Dados do censo da China e os do Banco Mundial têm pequenas diferenças, mas mostram a mesma tendência de aumento em anos de escolaridade média no país. De acordo com os dados do sétimo censo nacional populacional, em 2020, a média de anos de escolaridade da população economicamente ativa da China subiu de 9,67 anos em 2010 para 10,75 anos. Outro indicador importante é o de nível de escolaridade. O aumento no número de anos de estudo decorre de dois fatores principais. O primeiro é o apoio político para aumentar continuamente os níveis educacionais. Desde a década de 1980, à medida que mais pessoas concluíram o ensino médio, a proporção de pessoas com diploma apenas do ensino fundamental começou a diminuir. Já o sistema de ensino obrigatório de nove anos implementado em 1986 desempenhou um importante papel na disseminação do ensino fundamental e médio. Nos últimos anos, o governo investiu mais recursos para aumentar rapidamente a taxa de matrícula no ensino superior. No ano passado, essa taxa saltou para 60%, mais de quatro vezes maior que há 20 anos, aproximando-se da média dos membros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico. Assim, é certo que a proporção da população economicamente ativa com ensino superior continuará a crescer. O segundo fator provém do efeito da medida que os idosos, que têm um nível educacional relativamente baixo, se aposentam e que a geração mais jovem entra no mercado de trabalho, a média de anos de escolaridade da população economicamente ativa certamente aumentará continuamente. Estima-se que para cada 10 idosos que saem do mercado de trabalho com menos de 8 anos de estudo da atualidade até 2030, haverá 15 jovens com mais de 14 anos de estudo substituindo-os. A melhoria da qualidade da mão de obra compensará os impactos negativos do envelhecimento demográfico e da redução da população economicamente ativa sobre o crescimento econômico. O capital humano considerando o nível de educação da força de trabalho não apenas não diminuirá, mas crescerá aceleradamente nos próximos 10 anos. Fonte: yicai.com
29 de setembro de 2023
No cenário global, a China é conhecida por suas realizações econômicas e sua população numericamente vasta. No entanto, um desafio demográfico significativo está se desenrolando no país que pode ter impactos profundos em sua sociedade e economia: o rápido envelhecimento de sua população. No recente Fórum de Inovação Médica e Tecnológica de 2023, um dos principais especialistas em saúde da China, Qiao Jie, acadêmico da Academia Chinesa de Engenharia e diretor da Faculdade de Medicina da Universidade de Pequim, fez um alerta enfático. Ele afirmou que "estimular a fertilidade feminina é a pedra angular para elevar as taxas de natalidade na China". As estatísticas mais recentes são alarmantes: nos últimos cinco anos, o país viu uma queda acentuada de aproximadamente 40% no número de recém-nascidos, com um total de apenas 9,56 milhões de nascimentos registrados em 2022. As projeções para 2023 são ainda mais sombrias, com números estimados entre 7 a 8 milhões de nascimentos. Comparando com outra nação asiática, a Coreia do Sul, que lidera o cenário global de declínio na taxa de natalidade, levou três décadas para reduzir sua taxa de natalidade de 1,5 para menos de 1,0. Surpreendentemente, a China alcançou essa mesma redução em um curto período de quatro anos, caindo de 1,5 em 2019 para uma previsão de menos de 1,0 para este ano. O envelhecimento acelerado da população chinesa apresenta desafios multifacetados. Enquanto o governo implementou políticas de ajuste, incluindo o aumento da idade de aposentadoria, a flexibilização das políticas de natalidade (permitindo segundo e terceiro filhos) e a introdução de incentivos fiscais para pais, os impactos desse envelhecimento populacional ainda parecem distantes para muitos, enquanto o país permanece em uma calmaria antes da tempestade. Causas subjacentes do envelhecimento populacional na China Historicamente, a China promoveu a natalidade em seus primeiros anos devido à necessidade urgente de mão de obra durante sua fase inicial de desenvolvimento. Após sua fundação, apesar de enfrentar períodos difíceis, a disposição das pessoas em ter filhos permaneceu alta. No entanto, as gerações que compõem o chamado "baby boom" agora lideram o envelhecimento populacional chinês. Além disso, a estabilidade social, uma alta vontade de ter filhos e avanços na área de saúde que reduziram significativamente a mortalidade infantil contribuíram para a primeira onda do "baby boom" nas décadas de 1950 e 1960. Na sociedade atual, a vontade das pessoas de ter filhos diminuiu consideravelmente devido a uma série de pressões sociais, como habitação cara, salários estagnados, preços elevados, uma cultura de excesso de trabalho e uma competição feroz. A desigualdade de gênero e o fardo financeiro de cuidar dos idosos também desempenham um papel fundamental na redução do desejo de ter filhos. Todas essas pressões resultam em uma geração jovem sobrecarregada, lutando para equilibrar suas vidas pessoais e profissionais. Impactos do envelhecimento populacional Do ponto de vista individual, o envelhecimento populacional aumentará a pressão sobre os filhos únicos para cuidar de seus pais idosos. A cultura chinesa valoriza profundamente o respeito aos idosos, colocando assim uma carga significativa sobre as gerações mais jovens. Além disso, embora se espere que o governo compartilhe parte da responsabilidade pelo cuidado dos idosos, a magnitude do envelhecimento populacional e os desafios financeiros futuros podem limitar a capacidade do governo de fornecer assistência adequada. Portanto, cada vez mais, a responsabilidade recairá sobre os filhos, aumentando a carga financeira e de tempo, afetando o desenvolvimento pessoal, a carreira e a criação de filhos. Do ponto de vista social, o envelhecimento populacional pode ampliar a desigualdade entre diferentes grupos etários. A acumulação de riqueza na sociedade moderna ocorre principalmente através de dois caminhos: trabalho intelectual e trabalho físico. À medida que o sistema de aposentadoria se expande, a diferença de renda entre trabalhadores intelectuais mais velhos e trabalhadores físicos tende a aumentar, pois a experiência e o conhecimento acumulados são altamente valorizados. Por outro lado, os trabalhadores físicos, devido à natureza de seus empregos que exigem força física, podem ver sua capacidade de trabalho diminuir à medida que envelhecem. Resposta da China ao envelhecimento populacional Para enfrentar o envelhecimento populacional, a China está considerando medidas como a redução das horas extras dos trabalhadores, liberando assim mais tempo para o cuidado dos idosos e para o desenvolvimento pessoal. Além disso, o governo implementou políticas de atraso na aposentadoria, promoveu uma política de dois filhos e ofereceu incentivos fiscais para pais com filhos. Embora o envelhecimento populacional seja um desafio complexo, o governo chinês está tomando medidas enérgicas para enfrentá-lo. Este é um problema que continuará sendo debatido e abordado nos próximos anos, à medida que a China enfrenta as complexidades do envelhecimento de sua população e seus efeitos na sociedade e na economia. Tradução: Mei Zhen Li Autor: Garry Imagem principal: Leungchopan/ Adobe Stock
9 de agosto de 2023
Nos últimos anos, a China tem enfrentado um desafio social pouco simples de resolver: a baixa taxa de natalidade e o envelhecimento de sua população. O encolhimento preocupante para o futuro do país aconteceu, em parte, devido à Política do Filho Único, vigente desde o fim da década de 1970, que tinha como objetivo colocar um freio no tamanho da população limitando uma criança por casal. Agora, autoridades chinesas têm adotado medidas diversas para reverter o declínio populacional e evitar uma crise demográfica. A Política do Filho único previa que casais de áreas urbanas e rurais só poderiam ter um filho. A partir de 1985, casais de áreas rurais foram permitidos a ter um segundo filho. Em 2015, porém, a regra foi revogada e o governo passou a permitir que todas as famílias, independente da região, tenham duas crianças. Segundo a agência de notícias do governo chinês, Xinhua, citando um censo populacional, essa mudança resultou no nascimento de mais de 10 milhões de segundos filhos no país. De acordo com os dados mais recentes do Banco Mundial, a taxa de natalidade da China aumentou após o fim da restrição do número de crianças por casal: de 1,67 nascimentos por mulher em 2015, passou para 1,81 em 2017. No entanto, entrou em uma queda constante, ficando em 1,55 em 2018, e chegando a 1,28 em 2020. Em 2022, a China registrou a menor taxa de natalidade, com as mortes superando o número de nascimentos. Segundo o Escritório Nacional de Estatística, a população geral despencou em 850.000 pessoas para 1,4118 bilhão em 2022. A baixa adesão à ideia de aumentar a família está ligada aos altos custos para se ter mais filhos, especialmente nas grandes cidades chinesas, além da dificuldade para ter uma rede de apoio enquanto os pais trabalham. Diante disso, o governo tem implementado incentivos para auxiliar casais. No ano passado, 17 departamentos do governo chinês divulgaram uma diretriz sobre políticas de apoio em finanças, impostos, habitação, emprego, educação e outras áreas para criar uma sociedade favorável à fertilidade e incentivar as famílias a terem mais filhos. Em 2021, uma decisão do governo previu que até 2025, a China estabelecerá um sistema de políticas que apoiem os nascimentos com melhores serviços e custos mais baixos em maternidade, cuidados e educação. Até 2035, o país planeja melhorar mais suas políticas e regulamentações, visando o desenvolvimento populacional estável a longo prazo. Incentivo financeiro Diversas províncias do país têm oferecido subsídio financeiro para casais que queiram ter o segundo filho. Nesta semana, a cidade de Hangzhou acaba de anunciar o subsídio de cerca de R$ 2,7 mil para os casais que decidirem ter o terceiro filho. Até mesmo empresas privadas estão apoiando. A plataforma de viagens online Ctrip planeja investir 1 bilhão de yuans em subsídios de maternidade no futuro para incentivar os funcionários a ter filhos. A partir de julho deste ano, a empresa passou a oferecer 10.000 yuans (aproximadamente R$6.600) por ano para cada criança nascida, e o pagamento terminará após a criança completar 5 anos de idade. Planejamento familiar Para incentivar que casais elegíveis, ou seja, pessoas casadas, tenham o segundo filho, agentes do governo especializados fazem visitas às casas, e prestam aconselhamento e planejamento sobre questões relacionadas a finanças, organização da rotina familiar, e acompanhamento de saúde. A Associação de Planejamento Familiar da China lançou recentemente o segundo grupo de cidades-piloto designadas para lançar campanhas publicitárias para defender "um novo conceito de casamento e filhos". São 20 regiões, incluindo Handan na província de Hebei e Guangzhou na província de Guangdong. A campanha será lançada, pois existe um crescimento populacional desigual entre as regiões. Pequim, Jiangsu, Zhejiang e outras províncias, já fizeram as campanhas. O objetivo é promover o casamento e que casais tenham filhos em idades adequadas, encorajar os pais a compartilhar as responsabilidades de ter filhos e reduzir os altos custos de presentes de noivado e outros costumes ultrapassados. Crédito: China2Brazil Imagem principal: Geargodz/ Adobe Stock