28 de setembro de 2023
O desemprego atualmente na China é um dos problemas sociais e econômicos que afetam milhões de pessoas, especialmente os jovens. Segundo os dados do Escritório Nacional de Estatísticas da China (NBS) , a taxa de desemprego entre os jovens de 16 e 24 anos atingiu um recorde histórico de 21,3% em julho de 2023, um aumento de 0,5 ponto percentual em relação ao mês anterior. Isso significa que um em cada cinco jovens chineses está sem trabalho. Alguns fatores que contribuem para o desemprego urbano entre os jovens na China incluem: a desaceleração do crescimento econômico que reduziu a demanda por mão de obra em alguns setores, como a indústria e a construção civil. Ao mesmo tempo, a transformação estrutural da economia aumentou a demanda por mão de obra qualificada em setores emergentes, como os serviços, a tecnologia e a inovação. No entanto, a competição acirrada no mercado de trabalho dificulta a entrada dos jovens, especialmente dos recém-formados, que enfrentam a concorrência dos trabalhadores mais experientes e dos migrantes rurais. Além disso, a falta de qualificação profissional limita as oportunidades de emprego para os jovens que não possuem educação superior ou formação técnica e boa parte dos empregadores, muitas vezes, preferem trabalhadores experientes que oferecem maior produtividade e menor custo. Por outro lado, a pandemia de Covid-19 também teve um impacto negativo na oferta e na demanda de emprego, especialmente nos setores de serviços, turismo e educação. A crise sanitária provocou o fechamento temporário ou permanente de muitas empresas, a redução da renda das famílias e o aumento da incerteza econômica. Cultura de trabalho chinesa A cultura de trabalho na China é conhecida por sua exigência ética de trabalho, na qual é comum a prática do 996-work, que significa trabalhar das 9h às 21h, seis dias por semana. Essa cultura é comum nos setores de tecnologia e jogos, que se desenvolveram rapidamente graças a essas práticas. No entanto, essa cultura também tem um alto custo para os trabalhadores, que sofrem com o estresse, a fadiga, a falta de equilíbrio entre trabalho e vida pessoal e o risco de doenças ocupacionais Diante dessas situações, muitos jovens chineses estão buscando alternativas para escapar da pressão social e do trabalho tradicional. Algumas subculturas emergentes surgiram como alternativas que oferecem uma forma de escapismo para os jovens que se sentem desiludidos com a realidade. Uma dessas subculturas é a ACGN (anime-comic-game-novel), que se refere a um mundo bidimensional de animes, mangás e jogos. Essa comunidade proporciona aos jovens um refúgio onde podem mergulhar em narrativas fictícias, explorar mundos imaginários e encontrar criatividade no conforto e na fantasia. Outra subcultura emergente é o estilo de vida "tang ping" (躺平), que significa "deitar-se". Essa filosofia reflete a exaustão crescente entre os jovens, que optam por se afastar do mundo e rejeitar as expectativas da sociedade, como o consumo excessivo, a competição incessante e a busca pelo sucesso a todo custo. O "tang ping" incentiva uma abordagem mais descontraída e desapegada à vida, promovendo o equilíbrio e a auto aceitação. Em contrapartida, a subcultura budista atrai jovens que buscam um sentido espiritual para a vida. Os seguidores dessa subcultura praticam a meditação para encontrar a paz interior, adotam o vegetarianismo como uma forma de respeito pelos seres vivos, se envolvem em atividades voluntárias para contribuir para o bem-estar da comunidade e praticam a caridade como uma expressão de compaixão pelos menos afortunados . Essas subculturas emergentes representam maneiras diferentes pelas quais os jovens chineses estão lidando com as pressões da sociedade contemporânea e buscando uma sensação de significado e pertencimento em suas vidas. Cada uma delas oferece uma abordagem única para enfrentar os desafios do mundo moderno e encontrar um caminho que atenda às suas necessidades e valores individuais.
20 de julho de 2023
Por Zhuohua Liang Segundo dados divulgados pelo Escritório Nacional de Estatísticas da China em 17 de julho, a taxa de desemprego entre os jovens chineses, com idades entre 16 e 24 anos, atingiu um patamar histórico em junho, chegando a 21,3%. Este é o terceiro mês consecutivo em que a taxa ultrapassa os 20%, estabelecendo-se como o valor mais alto registrado desde que os dados começaram a ser coletados em 2018. É importante ressaltar que esse índice supera a taxa de desemprego do Brasil, que é de 18%. De acordo com informações disponíveis no site oficial do Escritório Nacional de Estatísticas da China, apenas uma hora de trabalho por semana é considerada como emprego, enquanto nos Estados Unidos e na França esse limiar é de 15 e 20 horas, respectivamente. Além disso, a China apresenta uma proporção relativamente baixa de empregos oficialmente registrados, o que torna desafiador compreender plenamente a situação de emprego por meio de indicadores como registro de desemprego e benefícios de seguro-desemprego. A alta taxa de desemprego entre os jovens na China é resultado de um problema estrutural, impulsionado pelo aumento do número de graduados universitários em busca de oportunidades de trabalho compatíveis com suas qualificações acadêmicas. Por outro lado, mesmo sendo conhecida como a "fábrica do mundo", a China enfrenta uma escassez significativa de trabalhadores qualificados e técnicos, o que dificulta às indústrias encontrar mão de obra adequada. No mês de maio, a rede estatal de televisão chinesa, CCTV, divulgou um vídeo na plataforma Bilibili, uma comunidade online popular entre os jovens do país. Intitulado "Acreditar que o trabalho árduo traz tranquilidade: a crença de muitas pessoas comuns", o vídeo tinha como objetivo incentivar os jovens a considerar empregos que exigem esforço físico, em vez de se prenderem exclusivamente a oportunidades relacionadas à educação formal. Plano de ação No âmbito das ações governamentais, em julho o Ministério do Comércio da China e outras 16 entidades lançaram o "Plano de Ação para o Desenvolvimento do Setor de Serviços Domésticos e Agricultura em 2023". O plano destaca a promoção do empreendedorismo entre os recém-formados, incentivando-os a abrir empresas no setor de serviços domésticos e a se envolverem nas áreas rurais, com o intuito de melhorar a absorção da força de trabalho nessas regiões, além de fornecer subsídios iniciais e benefícios de seguridade social aos empreendedores qualificados. Além disso, após o período da pandemia, houve um aumento significativo de jovens chineses buscando estabilidade ao escolher suas carreiras, resultando em uma maior procura por empregos no setor público e em instituições governamentais. Conforme relatório de pesquisa divulgado em 2022 pela Zhaopin.com , a maior plataforma de recrutamento da China, 44,4% dos recém-formados expressaram o desejo de trabalhar em empresas estatais, enquanto apenas 17,4% optaram por empresas privadas. O porta-voz do Escritório Nacional de Estatísticas da China, Fu Linghui, destacou que historicamente, durante os meses de junho e julho, que correspondem à temporada de formaturas, é comum observar um aumento na taxa de desemprego entre os jovens. Com base nos dados atuais, a taxa de desemprego juvenil em junho atingiu 21,3%, registrando um aumento em relação ao mês anterior. Devido à entrada massiva de jovens graduados no mercado de trabalho, é esperado um novo aumento na taxa de desemprego em julho. No entanto, seguindo os padrões históricos, à medida que o período de formaturas chega ao fim, espera-se uma gradual redução na taxa de desemprego a partir de agosto. Tradução: Mei Zhen Li Imagem principal: Andrii Yalanskyi/Adobe Stock
17 de agosto de 2020
A plataforma social chinesa de namoro Tantan lançou um relatório em que compartilhou percepções sobre a vida de jovens que vivem sozinhos na China. O relatório mostrou que 49,6% dos usuários solteiros do app vivem sozinhos, e a proporção de homens que vivem sozinhos é 27,82% maior do que a das mulheres. Entre eles, os usuários de 26 a 30 anos representaram 64,73%. Ao mesmo tempo, a proporção de empregados e empresários de empresas privadas é alta, e cidades como Pequim, Shenzhen e Guangzhou representam a maior proporção. Além disso, a proporção de co-locatários chegou a 15,65%, que podem não estar fisicamente sozinhos, mas estão espiritualmente “sozinhos”. Este tipo de usuários pesquisados é principalmente de cidades de primeiro e segundo níveis. Vale ressaltar que 17,93% dos usuários pesquisados disseram que “não moram sozinhos, mas querem experimentar”. Quando questionados sobre “quanto tempo você espera morar sozinho?”, 60,43% responderam: “não tenho certeza, depende de quando posso encontrar o parceiro certo”. Além disso, 67,8% dos entrevistados afirmaram preferir parar de morar sozinhos o quanto antes, enquanto 32,2% afirmaram desfrutar da liberdade de morarem sozinhos. Fonte: NetEase News
15 de julho de 2020
O salário mensal de jovens formados em universidades em 2019 com diploma de bacharel chega a 5.440 yuans (R$ 4.199), na China. As informações são do "Relatório Anual de Emprego dos Graduados das Faculdades Chinesas de 4 anos" e o "Relatório Anual dos Graduados de Faculdades Profissionalizantes Chinesas de 3 anos". Os dados mostram ainda que o salário mensal de formados em faculdades profissionalizantes atinge 4.295 yuans (R$ 3.315). Os formados em informática, informações eletrônicas e automação têm salários relativamente mais altos, com salários médios mensais de 6.858 yuans (R$ 5.293), 6.145 yuans (R$ 4.743) e 5.899 yuans (R$ 4.553), respectivamente. Os formandos das faculdades que se especializam em transporte ferroviário, computador e transporte de água também têm salários mais altos, com uma renda mensal média de 5.109 yuans (R$ 3.943), 4.883 yuans (R$ 3.769) e 4.763 yuans (R$ 3.676). Segundo o relatório, Xangai foi classificada como a cidade com maior satisfação de emprego entre os graduados, seguida por Pequim. A região do Delta do Rio das Pérolas tem um apelo mais forte aos talentos, seguida pela região do Delta do Rio Yangtze, enquanto as regiões Nordeste e Central são menos atraentes. O relatório mostra ainda que a proporção de graduados que continuaram seus estudos com a pós-graduação aumentou significativamente nos últimos anos, e o “payback” fica mais visível com o tempo. Aqueles que se formaram em 2014 e obtiveram o mestrado nos 5 anos seguintes têm salário mensal significativamente mais alto (10.408 yuan, ou R$ 8.034) do que aqueles que não obtiveram o mestrado (9.683 yuan, ou R$ 7.474). A satisfação deles com o emprego (mestrado: 79%, sem mestrado: 73%) também é maior.