1 de julho de 2025
Com a chegada da alta temporada de consumo durante as férias, o governo chinês e as administrações locais lançaram um pacote de medidas para fomentar a chamada “economia de verão”. O objetivo é aumentar a demanda por produtos culturais, turísticos e de lazer. De julho a agosto de 2025, o Ministério da Cultura e Turismo promove a Temporada Nacional de Consumo Cultural e Turístico de Verão. O programa prevê mais de 4.300 iniciativas e cerca de 39 mil eventos em todo o país, incluindo viagens para escapar do calor, turismo litorâneo, espetáculos, feiras, exposições, passeios em família e atividades noturnas. Durante o período, os consumidores terão acesso a incentivos como cupons de desconto, ingressos promocionais, pacotes com preços reduzidos e campanhas de cashback. O governo destinou mais de RMB 570 milhões em subsídios para estimular a demanda e atender às expectativas da população para as férias. Cidades ampliam ações para atrair consumidores O lançamento oficial da temporada ocorreu em 30 de junho, em Qingdao (Shandong), sob o tema “Cultura e Turismo para o Povo — Compartilhando uma Vida Melhor”. O evento marcou o início de uma série de promoções e ações conjuntas entre governo e setor privado. Entre as medidas anunciadas: A Administração de Aviação Civil divulgou políticas de incentivo para passagens aéreas no verão; A Administração Meteorológica indicou 16 rotas recomendadas em regiões com temperaturas mais amenas; Instituições financeiras, como UnionPay , Banco Agrícola da China, Banco da China, Banco de Construção e Banco Industrial, lançaram produtos voltados para turismo e cultura; Empresas como Sinopec e Damai Entertainment integraram ações online e presenciais com foco em benefícios ao consumidor. Algumas cidades já implementaram suas próprias iniciativas. Em Xangai, o “Festival da Vida Noturna 66” vai até setembro com 130 atividades temáticas. Em Pequim, a campanha “Let’s Beijing · Noites em Pequim 2.0” busca ampliar a diversidade do consumo noturno. Já em Yunnan, estão previstos mais de 3.100 eventos culturais públicos e políticas voltadas ao turismo. Cupons se tornam estratégia recorrente A distribuição de cupons se consolidou como uma das principais ferramentas para estimular o consumo: Qingdao ofereceu RMB 5 milhões em cupons para restaurantes entre 18 e 30 de junho; Hubei distribuiu mais de RMB 30 milhões em cupons pela plataforma Meituan durante o festival “Leshop Hubei 616”; Zhengzhou (Henan) iniciou, em 23 de junho, a entrega de cupons para reformas residenciais. Outras regiões direcionaram recursos a setores com maior pressão de gasto. Guangdong, Jiangxi e Hainan, por exemplo, lançaram cupons para serviços de cuidado infantil. Guangdong oferece vouchers de experiência e consumo para creches em todas as suas 21 cidades. Em Hainan, famílias com crianças de até quatro anos recebem cupons mensais de até RMB 600 até o fim do ano. Para Liu Xiangdong, vice-diretor do Departamento de Pesquisa Econômica do Centro de Intercâmbio Econômico Internacional da China, essas medidas geram resultados imediatos, ao ativar economias locais e estimular um ciclo de crescimento econômico com impacto social. Consumo interno ganha força como motor da economia Em meio ao aumento dos riscos externos, o governo intensificou os esforços para fortalecer o consumo interno como principal motor da economia. Dados do Escritório Nacional de Estatísticas indicam que, em maio, o consumo liderou o crescimento econômico, com avanço de 6,4% nas vendas do varejo, o maior desde o início do ano. Desde março, Pequim tem adotado políticas voltadas ao bem-estar da população. Em junho, o Comitê Central do Partido e o Conselho de Estado publicaram diretrizes para resolver questões urgentes em áreas como habitação, previdência e cuidados com idosos. Para o segundo semestre, especialistas destacam a necessidade de aumentar a renda disponível da população. Wang Yiming, vice-presidente do Centro de Intercâmbio Econômico Internacional da China, defende três prioridades: Elevar a participação da renda das famílias no PIB; Redirecionar gastos públicos para serviços e bem-estar; Estimular o consumo de serviços, com potencial para gerar empregos. Liu Shijin, ex-vice-diretor do Centro de Pesquisas para o Desenvolvimento do Conselho de Estado, propõe focar no chamado “consumo de desenvolvimento”, voltado a áreas como educação, saúde, moradia acessível, previdência e cuidados com idosos. Para ele, o avanço do consumo depende de dois fatores: ampliar o poder de compra da população de baixa renda e desenvolver o setor de serviços com foco no desenvolvimento humano. Fonte: Yicai.com