23 de junho de 2026
A marca canadense Lululemon, especializada em roupas e acessórios para yoga, corrida e outras atividades esportivas, encontrou na China um de seus principais mercados de crescimento global. Em 2025, a receita da empresa no país cresceu 29%, ritmo quase seis vezes superior ao crescimento global da companhia, de 5%. O desempenho acompanha o fortalecimento da economia do bem-estar na China, marcada pelo aumento dos investimentos dos consumidores em saúde, atividade física e qualidade de vida. A trajetória da marca acompanha uma mudança que vem ganhando força entre as gerações mais jovens da China. Se durante anos o consumo aspiracional esteve associado principalmente a bens de luxo e símbolos de status, hoje uma parcela crescente dos consumidores direciona seus gastos para experiências e produtos ligados ao bem-estar físico e mental. Segundo a consultoria Moojing Global, o mercado online de saúde e bem-estar da China movimentou 304,4 bilhões de yuans em 2025, alta de 15,8% em relação ao ano anterior. O levantamento aponta que categorias relacionadas a exercícios físicos, nutrição, saúde preventiva e autocuidado continuam entre as que registram maior expansão no país. A mudança também aparece em pesquisas sobre comportamento do consumidor . Segundo o China-Britain Business Council (CBBC), a China já possui o segundo maior mercado de saúde e bem-estar do mundo e deve alcançar US$1,6 trilhão até 2030. O avanço é impulsionado principalmente por millennials e integrantes da Geração Z, que passaram a adotar uma visão mais ampla sobre o conceito de saúde. Para esses consumidores, o bem-estar não está restrito à prática de exercícios físicos ou à prevenção de doenças. O conceito passou a incluir saúde mental, qualidade do sono, equilíbrio entre vida pessoal e profissional, alimentação saudável e até a combinação entre práticas da medicina tradicional chinesa e soluções modernas de saúde. Essa mudança tem influenciado decisões de compra em setores que vão de alimentos e suplementos a academias, vestuário esportivo e experiências ligadas ao autocuidado. A aposta da Lululemon no mercado chinês A Lululemon entrou no mercado chinês em 2013, quando a prática de atividades como yoga e corrida ainda ocupava um espaço relativamente pequeno no país. Desde então, a empresa expandiu sua presença de forma gradual e encerrou 2025 com mais de 170 lojas na China. Além da venda de produtos, a marca estruturou sua atuação em torno de uma estratégia centrada em comunidade, com eventos de corrida, aulas de yoga, treinos coletivos e programas conduzidos por embaixadores locais. Diferentemente de marcas esportivas que concentram sua atuação na venda de equipamentos, a Lululemon opera com um modelo que combina varejo e experiência. As lojas funcionam como pontos de encontro para atividades físicas e convivência, enquanto instrutores e embaixadores locais ajudam a sustentar uma rede de prática esportiva que reforça a presença da marca no cotidiano dos consumidores. O produto, nesse caso, atua como extensão de um estilo de vida já praticado dentro dessas comunidades. Essa estratégia reduz a dependência de publicidade tradicional e desloca o foco da comunicação para a construção de vínculos recorrentes com consumidores urbanos. Com isso, a empresa aposta em microcomunidades ligadas a modalidades específicas, como corrida de rua, yoga e treinamento funcional, especialmente em grandes centros urbanos chineses. O crescimento da operação chinesa tem sido particularmente relevante para a companhia em um momento de desaceleração internacional. No primeiro trimestre de 2026, a receita da Lululemon na China aumentou 23% em comparação com o mesmo período do ano anterior, segundo dados divulgados pela Reuters. O resultado contrastou com um cenário mais desafiador enfrentado pela empresa em outras regiões. Para 2026, a expectativa divulgada pela empresa é de crescimento próximo a 20% no país, percentual superior ao projetado para o restante de suas operações globais.
26 de janeiro de 2026
A Administração Estatal de Tributação divulgou, em 26 de janeiro, uma análise baseada em big data tributário que indica a recuperação e a diversificação do mercado consumidor chinês em 2025. Segundo o órgão, políticas públicas direcionadas estimularam a demanda por eletrodomésticos, telefones celulares e veículos de novas energias, além de impulsionarem novos modelos de consumo ligados a cultura, turismo, tecnologia digital, esportes e saúde. O levantamento também identificou crescimento no consumo entre idosos, crianças e turistas estrangeiros. Os programas de troca de eletrodomésticos ampliaram o consumo de bens duráveis. Em 2025, os dados de notas fiscais mostram que a receita de vendas no varejo de eletrodomésticos de uso diário, como geladeiras, cresceu 17,4% em relação ao ano anterior. Equipamentos de cozinha e banheiro, como fogões a gás, avançaram 12,9%, enquanto os equipamentos de comunicação, como telefones celulares, registraram alta de 18,6%. No setor automotivo, o consumo de veículos de novas energias manteve a trajetória de crescimento. As vendas e a receita desses veículos aumentaram 24,3% e 21,1%, respectivamente, na comparação anual. A integração entre cultura e turismo também contribuiu para o aquecimento do consumo. Em 2025, a receita de criações e apresentações artísticas cresceu 17,3% em relação ao ano anterior. Modelos de negócios baseados em experiências imersivas ampliaram o consumo cultural e turístico. As agências de viagens e serviços relacionados registraram aumento de 11,2% na receita, enquanto pontos turísticos cresceram 26,1% e as atividades de lazer avançaram 14,6%. O uso de tecnologias digitais reforçou o crescimento de novos formatos de consumo. Plataformas de serviços de estilo de vida online registraram alta de 9,4% na receita em 2025, enquanto os serviços de entrega de comida cresceram 13,3%. O consumo cultural digital também avançou. Jogos e animações impulsionaram o setor, que registrou aumento de 16,6% na receita anual. O consumo nos setores de esportes e saúde manteve expansão. A receita de serviços de exibição esportiva cresceu 12,2% em 2025, enquanto os serviços de consultoria esportiva avançaram 27,8%. No segmento de saúde, os serviços de consultoria em saúde aumentaram 11,7%, os serviços de preservação da saúde cresceram 12% e os serviços integrados de esportes e saúde avançaram 16,5%. O levantamento também apontou expansão do consumo entre idosos e crianças. Em 2025, os serviços de assistência a idosos cresceram 24,9% em relação ao ano anterior. Os serviços de assistência social avançaram 23,1%, e os lares de idosos registraram alta de 15,4%. No setor de cuidados infantis, a receita aumentou 5,4%, impulsionada pela ampliação da rede de serviços e pelo apoio institucional. O consumo estrangeiro ganhou fôlego com a ampliação da política de reembolso de impostos de saída. Em 2025, o número de turistas estrangeiros que solicitaram reembolso cresceu 305% em relação ao ano anterior. As vendas de produtos com reembolso avançaram 95,9%, enquanto o valor total devolvido aumentou 95,8%. O país incorporou sete novas regiões à política — Dalian, Hubei, Jilin, Guizhou, Mongólia Interior, Shanxi e Qinghai — elevando para 12.930 o número de lojas habilitadas, sendo mais de 7.000 com serviço de “reembolso instantâneo na compra”. Para Shi Zhengwen, diretor do Centro de Pesquisa em Direito Fiscal e Tributário da Universidade de Ciências Políticas e Direito da China, os resultados refletem os efeitos das políticas de estímulo ao consumo adotadas pelo governo. Segundo ele, os programas de troca de produtos impulsionaram o consumo em massa, enquanto novos modelos de negócios ampliaram o alcance do mercado. O crescimento do consumo entre idosos, crianças e turistas estrangeiros contribuiu para diversificar a demanda e fortalecer o consumo interno como motor do desenvolvimento econômico. Fonte: ST Daily