O relatório de trabalho apresentado pelo governo da China neste ano propõe ampliar a capacidade e elevar a qualidade do setor de serviços. O documento inclui, pela primeira vez, a criação da marca nacional “Serviços da China”. A medida integra a estratégia do país para fortalecer sua presença no comércio global de serviços e aumentar o valor agregado da economia.
Nos últimos anos, o governo chinês estruturou diferentes iniciativas de promoção econômica com o prefixo “China”. Entre elas estão “Made in China”, “Investir na China” e “Comprar na China”. A inclusão de “Serviços da China” amplia essa estratégia e indica a intenção de consolidar também a competitividade do setor de serviços.
Especialistas apontam que a proposta reflete mudanças na cadeia global de valor. Dados oficiais mostram que, em 2025, o comércio de serviços da China cresceu 7,4%, ritmo 3,6 pontos percentuais acima do comércio de bens. O desempenho reforça o papel do país no crescimento do comércio global de serviços.
Segundo Li Jun, diretor do Instituto de Pesquisa em Comércio Internacional de Serviços da Academia do Ministério do Comércio, o setor reúne base tecnológica, escala de mercado e capacidade industrial suficientes para acelerar a internacionalização dos serviços chineses.
O deputado da Assembleia Popular Nacional Zhang Shuibo, professor da Universidade de Tianjin, afirma que a competição em serviços de alto nível depende da qualidade e do valor da marca. Para ele, áreas como serviços técnicos e engenharia já possuem capacidade global, mas precisam fortalecer a identidade internacional dos serviços chineses.
O turismo também exerce papel relevante. Em 2025, o comércio de importação e exportação de serviços de viagem da China alcançou 2,2067 trilhões de yuans, com crescimento de 7,6%. As exportações avançaram 49,5% no período.
Segundo Dai Bin, presidente da Academia de Pesquisa em Turismo da China, políticas de devolução de impostos e facilitação de pagamentos impulsionaram iniciativas como “Comprar na China”. Ele afirma que o país precisa ampliar o valor cultural e criativo de produtos locais e comunicar melhor essas experiências aos visitantes estrangeiros.
A digitalização também impulsiona o setor. Tecnologias como inteligência artificial e computação em nuvem ampliam o espaço para serviços na cadeia global de valor.
Empresas chinesas já adotam esse modelo. O presidente do conselho do Chint Group, Nan Cunhui, afirma que a manufatura do país passa por uma transição para serviços integrados. Segundo ele, a empresa combina equipamentos, software, plataformas digitais e serviços em soluções completas para clientes.
Autoridades chinesas afirmam que a expansão do setor depende de duas prioridades: ampliar a capacidade e elevar a qualidade. O ministro do Comércio, Wang Wentao, declarou que o país pretende ampliar as exportações de serviços ligados à pesquisa, design, testes, manutenção e consultoria, além de serviços de turismo, cultura e medicina tradicional chinesa.
Especialistas defendem ainda medidas como ampliar plataformas de comércio de serviços, melhorar políticas de apoio e reforçar padrões técnicos. Para eles, a padronização pode elevar a qualidade dos serviços e consolidar a marca “Serviços da China” no mercado internacional.
Fonte: gmw.cn


Adicionar Comentário