Entre 1º de janeiro de 2026 e 31 de dezembro de 2027, a China passa a cobrar metade do imposto de compra sobre veículos de nova energia (NEVs), encerrando a isenção total vigente até o fim de 2025. A alíquota efetiva será de 5% sobre o preço de venda, com teto de redução de até RMB 15 mil por veículo de passeio. A mudança já afeta as decisões de compra e a dinâmica do mercado automotivo no início do ano.
Em concessionárias de grandes cidades, como Pequim e Chongqing, consumidores afirmam que o aumento do custo final varia de alguns milhares de yuans até o limite máximo previsto. Parte do público adotou postura de espera, enquanto outros mantêm a compra, citando menor custo de uso dos NEVs e incentivos compensatórios oferecidos por montadoras.
Segundo o setor, no fim de 2025 houve antecipação da demanda. Como o imposto é calculado pela data de emissão da nota fiscal, montadoras ofereceram compensações equivalentes ao tributo, o que concentrou vendas no último mês do ano. Em Guangzhou, as vendas de dezembro cresceram cerca de 40% em relação a novembro, de acordo com dados de concessionárias.
Apesar da cobrança parcial do imposto, os consumidores seguem amparados por uma nova rodada de subsídios nacionais para troca de veículos usados. Em 2026, o benefício pode chegar a RMB 20 mil para sucateamento ou RMB 15 mil para troca direta, o que ajuda a neutralizar o impacto do imposto. Paralelamente, montadoras lançaram incentivos comerciais, como descontos diretos e financiamentos com juros zero ou reduzidos.
Além do efeito no consumo, a política pressiona a indústria a reduzir custos. Fabricantes vêm ampliando a integração entre pesquisa, produção, suprimentos e logística, o que já permitiu quedas consistentes nos preços médios dos veículos de nova energia nos últimos anos.
O ajuste tributário ocorre junto ao endurecimento dos critérios técnicos para acesso ao benefício fiscal. A partir de 2026, veículos híbridos plug-in devem ter autonomia elétrica mínima de 100 quilômetros, entre outras exigências. O objetivo é deslocar a competição baseada em preço para uma disputa centrada em tecnologia.
Dados do setor mostram que, nos últimos cinco anos, a autonomia média dos veículos elétricos puros na China chegou a cerca de 500 quilômetros, a velocidade de carregamento mais que triplicou e mais de 60% dos novos veículos de passeio já oferecem funções combinadas de assistência à condução.
Para a Associação Chinesa de Fabricantes de Automóveis, a política mantém estímulo relevante no curto prazo, especialmente no segmento entre RMB 150 mil e RMB 300 mil, e, no longo prazo, acelera a transição do setor para um modelo menos dependente de incentivos fiscais e mais orientado pelo mercado e pela inovação tecnológica.
Fonte: news.cctv.com

