Na manhã de 2 de abril, o Parque Lego de Xangai divulgou os valores dos ingressos para a inauguração. O sistema adota seis faixas de preços, variando conforme a demanda de visita: temporada baixa, dias regulares, regulares especiais, alta temporada, pico e pico especial.
O ingresso adulto custa entre RMB 319 e RMB 599. Já o ingresso infantil representa cerca de 80% do valor do ingresso adulto correspondente, com preços entre RMB 255 e RMB 479.
O parque é operado pela Merlin Entertainments e tem como público-alvo famílias com crianças de 2 a 12 anos. A proposta difere da abordagem da Disney, que atende todas as faixas etárias, e da Universal Studios, voltada para o público jovem e adulto.
Xangai já abriga outros parques temáticos, como a Disney, Haichang Ocean Park e Happy Valley. Lin Huanjie, diretor do Instituto de Pesquisa de Parques Temáticos da China, afirmou ao National Business Daily que “o índice de retorno de visitas do Parque Lego de Xangai pode ser o mais alto”.

Para efeito de comparação, o ingresso básico da Disney em Xangai custa RMB 475 e pode chegar a RMB 799. No Universal Studios Beijing, os valores oscilam entre RMB 363 e RMB 638. Assim, o Parque Lego de Xangai adota uma faixa de preço mais baixa, o que reforça seu foco em um público familiar e em uma área menor, com 318 mil metros quadrados, localizada no norte do distrito de Jinshan.
A localização, no entanto, levanta preocupações entre os visitantes. O parque está mais próximo de Jiaxing (Zhejiang) do que do centro de Xangai, e ainda não há conexão por metrô. Segundo Lin Huanjie, a distância pode limitar o apelo nacional do parque, mantendo o foco em visitantes locais.
O especialista também afirmou que a adoção de seis faixas de preços permite distribuir melhor o fluxo de visitantes, além de otimizar a receita sem comprometer a experiência. Ele destacou que o público-alvo – crianças entre 2 e 12 anos – depende do tempo livre dos responsáveis, o que pode restringir a frequência das visitas.
Mesmo assim, Lin prevê uma taxa de retorno alta. “Crianças que participam das atividades podem não completar a experiência em uma única visita. A proposta educativa e interativa incentiva novos retornos em um curto intervalo”, afirmou.
Expansão da Legoland na China inclui novos parques em Sichuan e Shenzhen
O Parque Lego de Xangai é o primeiro da marca na China e o 11º no mundo. A Merlin Entertainments já iniciou outros projetos no país, como em Tianfu (Sichuan) e Shenzhen (Guangdong). Em novembro de 2024, o parque de Shenzhen concluiu uma etapa estrutural e avançou para a fase de cobertura, com previsão de aceleração das obras ao longo de 2025.
Segundo apuração do National Business Daily, a empresa também realizou negociações com outras cidades, incluindo Pequim e Sanya. Uma fonte próxima à Merlin afirmou que, há cinco anos, o grupo decidiu aumentar os investimentos no mercado chinês, diante da ausência de projetos voltados exclusivamente ao entretenimento familiar com foco em crianças.

Lin Huanjie classifica os parques temáticos em quatro categorias: regionais (atraem moradores locais e cidades próximas), interprovinciais (visitantes de outras províncias), nacionais (como o Happy Valley de Pequim) e globais (como a Disney e Universal Studios). Para ele, o Parque Lego de Xangai se encaixa na categoria regional. Ele estima que mais de 70% dos visitantes virão de Xangai e arredores, diferentemente da Disney e da Universal, que atraem turistas de outras regiões.
Setor de parques temáticos na China registra queda
O Relatório Global de Parques Temáticos e Museus 2022, publicado pela Themed Entertainment Association (TEA) e AECOM, apontou a China como o maior mercado mundial de parques temáticos, com seis representantes no ranking global dos 25 melhores. Projeções indicam que o setor deve crescer 7,2% ao ano nos próximos cinco anos.
Em 2024, o Hong Kong Disneyland registrou lucro líquido de HK$ 838 milhões e recebeu 7,7 milhões de visitantes. No mesmo ano, o Shanghai Disney Resort atraiu 14 milhões de pessoas, ficando em quinto lugar globalmente. O Universal Studios Beijing teve 9,88 milhões de visitantes.
O Pop Mart City Park, em Pequim, também superou as expectativas. Segundo Hu Jian, presidente da divisão de parques da empresa, metade dos visitantes vieram de fora da capital. A empresa já iniciou reformas para ampliar a oferta de atrações e alimentação, além de desenvolver a segunda fase do parque.
Apesar do desempenho positivo desses parques, o setor como um todo enfrenta retração em 2024. O Relatório de Competitividade dos Parques Temáticos da China 2024, divulgado em outubro, mostrou queda no número de visitantes e no consumo secundário (alimentos, lembranças e experiências), com recuo entre 10% e 30%.
Lin Huanjie acredita que, em 2025, o consumo secundário deve se estabilizar, com exceções para novos empreendimentos como o Legoland Shanghai. Segundo ele, parques recém-inaugurados geram forte interesse inicial e atraem famílias dispostas a investir em atividades para crianças.
Ele acrescentou que os parques oferecem retorno econômico e social. Cada RMB 1 gasto pode gerar RMB 3,8 em receitas diretas para a cidade e até RMB 15 em setores correlatos, como transporte, hotelaria, alimentação e varejo. Além disso, parques bem posicionados fortalecem o apelo cultural da região.
Fonte: news.qq.com