A NVIDIA anunciou parceria com a AVEVA, empresa britânica de software industrial, para integrar soluções de engenharia e otimização operacional à plataforma Omniverse DSX Blueprint. A iniciativa busca aprimorar o uso de GPUs por meio de ajustes na arquitetura computacional e acelerar a implantação de fábricas de IA.
Além disso, a colaboração inclui o uso da plataforma CONNECT e de tecnologias de gêmeos digitais industriais, que permitem simulações, visualização digital e design colaborativo. Com isso, as empresas pretendem reduzir o chamado “time-to-token”, indicador que mede o tempo entre a construção da infraestrutura e a geração de resultados computacionais.
Segundo executivos da AVEVA e da NVIDIA, as fábricas de IA passaram a ocupar posição central na economia digital. As empresas afirmam que o setor demanda novos modelos de inteligência industrial capazes de otimizar todo o ciclo de vida dos data centers, do projeto à operação em tempo real. A proposta inclui a criação de arquiteturas unificadas de gêmeos digitais para ampliar a eficiência e acelerar a implementação dessas estruturas.
Por outro lado, a expansão das fábricas de IA eleva a demanda por energia. Grandes empresas de tecnologia passaram a investir em fontes energéticas para sustentar data centers em larga escala. A Amazon firmou acordo com a Talen Energy para garantir 1.920 MW da usina nuclear Susquehanna, voltados à infraestrutura da AWS. Já o Google anunciou a reativação de uma usina nuclear em Iowa com o mesmo objetivo. Na Europa, o governo da Alemanha projeta ao menos dobrar a capacidade computacional de data centers até 2030, em comparação com 2025.
Enquanto isso, empresas chinesas ampliam investimentos em aplicações industriais de IA. Lee Kai-fu, CEO da 01.AI e presidente da Sinovation Ventures, afirma que a tecnologia deixou a fase de testes e entrou em um ciclo de adoção em larga escala. Segundo ele, 2026 marcará o início da aplicação de múltiplos agentes inteligentes nas empresas, com a IA assumindo funções organizacionais antes distribuídas entre equipes.
Lee também defende que a transformação digital exige mudanças estruturais. “A adoção de IA precisa partir da liderança e envolver a reconstrução dos modelos de negócio”, afirmou. Ele avalia que a estrutura industrial da China e o tamanho do mercado criam condições para o desenvolvimento de agentes inteligentes em diferentes cadeias produtivas.
No setor corporativo, a Kingdee International reforça que o valor da IA depende da capacidade de processar grandes volumes de dados alinhados a cenários reais de negócio. A empresa afirma que sua base de mais de 7,4 milhões de clientes permite desenvolver soluções aplicadas a áreas como finanças, cadeia de suprimentos, manufatura e pesquisa e desenvolvimento.
Ao mesmo tempo, executivos alertam que a IA pode alterar o modelo de receita de empresas de software, ao substituir produtos tradicionais por serviços baseados em agentes inteligentes. Xu Shaochun, CEO da Kingdee, afirma que a evolução de frameworks e infraestruturas de grandes modelos, junto ao avanço da engenharia de software com IA, sustenta essa transição e amplia a adoção de agentes inteligentes no ambiente corporativo.
Fonte: gmw

