A locomotiva elétrica “Lufeng”, equipada com a maior capacidade de bateria do setor ferroviário chinês, entrou em operação em 9 de abril na Ferrovia Shawei, em Zhangjiakou, na província de Hebei. O modelo realiza transporte de carga em média e longa distância, até 142 quilômetros, e amplia o uso de tração elétrica em linhas secundárias, antes restrita a manobras de curta distância.
Desenvolvida pelo Grupo de Ciência e Indústria Ferroviária da China, a locomotiva utiliza bateria de fosfato de ferro-lítio com capacidade de 4.200 kWh. Com isso, passa a atender rotas de escoamento de carvão em trajetos mais longos, conectando áreas de mineração às linhas principais.
Esse tipo de operação é central no transporte ferroviário de carga na China, já que os trechos menores da ferrovia garantem o deslocamento direto de materiais a granel. Até então, locomotivas a diesel predominavam nesse segmento, com maior consumo de combustível e custos operacionais. Com isso, a Lufeng busca substituir esse modelo ao viabilizar tração elétrica em percursos mais extensos.
Além disso, o projeto incorpora mudanças técnicas para ampliar autonomia e eficiência. A locomotiva adota arquitetura modular, o que eleva a densidade energética da bateria em 18% em relação a modelos anteriores. O sistema de gerenciamento térmico monitora o desempenho em tempo real, com vida útil estimada em mais de 4 mil ciclos e operação estável em temperaturas de até -20 °C.
O tempo de recarga também foi reduzido. A bateria pode ser carregada em cerca de 1,5 hora, o que permite manter a operação contínua no transporte ferroviário de cargas.
Outro ponto é o uso de recuperação de energia. Durante frenagens e descidas, o sistema converte energia cinética em eletricidade, com eficiência de até 75%. Esse mecanismo amplia a autonomia e melhora o aproveitamento energético ao longo da operação.
Atualmente, a Lufeng opera no transporte de carvão na Ferrovia Shawei. Dados operacionais indicam que uma única locomotiva pode reduzir custos de combustível em mais de 6 milhões de yuans por ano, além de cortar mais de 300 toneladas de emissões de dióxido de carbono anualmente. Ao longo do ciclo de vida, a redução estimada chega a 9 mil toneladas de carbono, o que posiciona a tecnologia como alternativa para reduzir as emissões no transporte ferroviário de carga.
Fonte: stdaily

