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IA na China tem meio bilhão de usuários

usuários de IA
Imagem: Pan Yulong/ Xinhua

O crescimento da inteligência artificial generativa na China atingiu um volume que altera a dinâmica do mercado digital global. Segundo dados do Centro de Informações da Rede da Internet da China (CNNIC), a base de usuários no país dobrou em apenas seis meses, alcançando 515 milhões de pessoas em meados de 2025, de acordo com dados mais recentes. O número representa mais do que uma adoção rápida, indica que a IA foi incorporada à estrutura de serviços e ao fluxo de trabalho de um terço da população conectada do país.

Enquanto o Ocidente ainda debate as implicações éticas e regulatórias de forma cautelosa, a China integrou a IA em setores que vão da produção agrícola à pesquisa científica e transformou o processamento de dados em uma utilidade tão comum quanto a conectividade 5G.

IA como infraestrutura digital

Diferente da fase inicial de experimentação, o estágio atual na China é de maturidade operacional. Com uma penetração de 36,5% entre os consumidores digitais, o país criou um ambiente onde a tecnologia é refinada por centenas de milhões de pessoas diariamente. Esse ciclo de uso intenso alimenta o desenvolvimento de novos modelos, elevando a IA ao status de infraestrutura básica, integrada de forma nativa a dispositivos móveis, plataformas de serviços e ao cotidiano profissional e acadêmico.

Perfil dos usuários

O relatório do China Internet Network Information Center (CNNIC) mostra que a maior parte dos usuários de IA generativa tem menos de 40 anos, representando 74,6% do total. Aproximadamente 37,5% possuem nível superior ou formação técnica. O padrão indica que a tecnologia é mais adotada por jovens adultos e profissionais que já utilizam dispositivos digitais com frequência.

Entre os usos mais comuns estão: geração de conteúdo, busca inteligente, tradução, assistentes de produtividade e educação. Embora a tecnologia esteja disponível para todos, a concentração em perfis mais jovens e escolarizados sugere que a adoção ainda depende de familiaridade com ferramentas digitais e acesso a dispositivos com capacidade para IA.

Integração em plataformas, dispositivos e indústria

A IA generativa tornou-se parte da experiência cotidiana graças à incorporação direta em plataformas digitais. Baidu, Alibaba e ByteDance adicionaram modelos de linguagem a buscas, aplicativos de mensagens, e-commerce e redes sociais, permitindo que funções de IA operem dentro das interfaces que os usuários já acessam diariamente.

Nos dispositivos móveis, grandes fabricantes como Huawei, Xiaomi e Vivo passaram a incluir unidades de processamento neural e modelos otimizados para execução local. Isso permite funções como tradução em tempo real, edição de vídeo, assistentes de produtividade e sugestões inteligentes diretamente no aparelho, reduzindo a dependência da nuvem e acelerando a adoção.

No campo educacional, escolas e plataformas privadas implantaram tutores digitais, sistemas de correção de exercícios e simuladores de provas, enquanto no trabalho a IA passou a integrar atendimento, análise de dados, produção de conteúdo e automação de processos, reorganizando funções e aumentando a eficiência operacional.

Na manufatura, a tecnologia é aplicada em controle de qualidade, manutenção preditiva e otimização de linhas de produção. Máquinas conectadas analisam dados em tempo real para ajustar velocidade, detectar falhas e reduzir desperdício de materiais. Grandes indústrias, especialmente nos setores de eletrônicos e automóveis, adotam sistemas inteligentes para aumentar produtividade e reduzir tempo de inatividade.

Outros setores, como varejo, saúde e serviços públicos, também integram a IA em suas operações. No comércio eletrônico, algoritmos recomendam produtos e otimizam logística; na saúde, auxiliam na triagem de pacientes e na organização de informações. Governos locais utilizam IA para gestão de dados urbanos e serviços digitais, tornando a tecnologia parte da infraestrutura pública.