Destaques da Semana

Cientistas chineses cultivam rim humano em porcos pela primeira vez

Rim humano

A revista acadêmica internacional Cell Stem Cell, sediada nos EUA, publicou nesta quinta-feira, 7, um novo estudo realizado por uma equipe de pesquisa chinesa em que mostra um feito inédito no mundo: o cultivo, com sucesso, de rim humano de médio prazo em um porco. Essa é a primeira vez em que se relata o cultivo de um órgão funcional humanizado dentro de embriões de porco.

Lai Liangxue, pesquisador do Instituto de Biomedicina e Saúde de Guangzhou da Academia Chinesa de Ciências (GIBH), disse que a grave falta de órgãos de doadores limitou o uso generalizado de transplantes de órgãos na clínica, e que o cultivo em animais de espécie diferentes com base em células-troncos pode ser uma abordagem ideal de resolver esse problema no futuro.

“Os órgãos humanizados obtidos por meio desse método não só terão uma gama mais abrangente de tipos de células e melhor estrutura e função de órgãos, mas também evitarão efetivamente problemas como a rejeição imunológica em transplantes de órgãos xenogênicos ou homólogos, pois as células do doador são originárias do próprio corpo do paciente”, disse Lai Liangxue.

Anteriormente, havia muitos obstáculos técnicos para a obtenção do cultivo de xenogênico de órgãos humanizados in vitro, o que levou ao fracasso da ideia de cultivar órgãos humanos a partir de porcos. No estudo atual, novas células-tronco pluripotentes induzidas humanas com alto potencial de diferenciação, forte competição e capacidade antiapoptose, combinadas com um sistema otimizado de tecnologia de compensação embrionária, foram usadas para obter o cultivo xenogênico in vivo de rins mesonéfricos humanizados em um modelo de porco com deficiência renal.

No estudo, as células derivadas humanas acima citadas foram injetadas em embriões de porcos, que foram transplantados em porcos substitutos para gestações. O modelo suíno utilizado foi geneticamente modificado para não possuir os genes necessários para o desenvolvimento dos rins, deixando espaço para as células humanas transplantadas.

O estudo foi conduzido em estrita conformidade com os regulamentos éticos relevantes e a prática internacional, e as gestações de porcas substitutas foram interrompidas com 3 a 4 semanas de idade gestacional suína. Foram obtidos dois embriões porcinos quiméricos mesonéfricos com uma idade gestacional de 25 dias e três embriões em uma idade gestacional de 28 dias. Mesonéfrico refere-se àqueles em que os rins se desenvolveram em mesonéfrico, o segundo estágio do desenvolvimento renal.

Os resultados da coloração por imunofluorescência dos principais genes funcionais para o desenvolvimento dos rins demonstraram que as células doadoras humanas se diferenciaram em células funcionais que expressam esses genes, sugerindo que, juntamente com o desenvolvimento embrionário, as células doadoras humanas no feto suíno poderão dar suporte à geração de rins humanizados.

Os pesquisadores disseram que essa conquista demonstra, pela primeira vez, a viabilidade de cultivar órgãos parenquimatosos funcionais humanizados em animais de grande porte xenogênicos com base na tecnologia de compensação de células-tronco e embriões, o que é uma primeira etapa crucial para o cultivo de xenogênicos de órgãos usando modelos de animais de grande porte com deficiência de órgãos, e é de grande importância para resolver o problema da grave escassez de órgãos de doadores.

Fonte: Xinhuanet.com
Imagem principal: THANANIT/ Adobe Stock