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China planeja mineração espacial para reduzir custos no espaço profundo

Espaço profundo

A Corporação de Ciência e Tecnologia Aeroespacial da China (CASC) incluiu no 15º Plano Quinquenal o conceito de “Tiangong Kaiwu”, um projeto de desenvolvimento de recursos espaciais que prevê a mineração de corpos celestes. Desde sua inclusão na agenda de grandes projetos, o tema gerou atenção nacional e internacional.

O plano, detalhado em imagens divulgadas pela CCTV, mostra o esboço de um sistema de mineração espacial funcional, indicando que a China pretende transformar conceitos de ficção científica em engenharia real. Ao contrário da percepção comum de extrair metais preciosos e trazê-los à Terra, o foco do projeto é a utilização in situ de recursos, como gelo de água, para sustentar a exploração do espaço profundo, estadias prolongadas e operação contínua de infraestrutura espacial.

Segundo Wang Wei, diretor do Departamento de Pesquisa e Desenvolvimento da CASC, o principal objetivo é reduzir custos, não buscar metais valiosos. O gelo de água é estratégico: a eletrólise transforma água em hidrogênio e oxigênio, gerando propelente de foguete. Explorar recursos diretamente na Lua ou em asteroides diminui significativamente o custo do reabastecimento. Ele compara: enviar propelente da Terra para o ponto L1 Sol-Terra custa cerca de US$12 mil por quilo e até US$36 mil para a superfície lunar; usando recursos lunares, o custo cai para US$1 mil e US$500 por quilo, respectivamente.

O projeto prevê uma abordagem em etapas. Primeiramente, recursos seriam extraídos e transportados para estações de transferência em pontos estratégicos, como os pontos de Lagrange L1 e L2, onde seriam processados e armazenados. Isso cria uma cadeia de suprimentos funcional, permitindo que missões no espaço profundo passem de operações isoladas e caras para sistemas regulares e sustentáveis.

Além das estações, a capacidade de transporte é crucial. Novos foguetes de alta carga, como o Longa Marcha 9, permitirão implantar centros espaciais, entregar equipamentos e transferir água, propelente e suprimentos entre diferentes nós. Esses foguetes não servem apenas à mineração espacial, mas também a pousos lunares tripulados e à exploração do espaço profundo.

O modelo chinês integra todos os elementos da mineração espacial: extração, processamento, armazenamento e transporte. A execução gradual, com verificação inicial e posterior expansão, segue a prática chinesa de construção de infraestrutura espacial, respeitando riscos de engenharia e ritmo de missões.

A inclusão do desenvolvimento de recursos espaciais no 15º Plano Quinquenal reflete uma estratégia de longo prazo. O objetivo não é apenas concluir missões isoladas, mas garantir que futuras atividades no espaço profundo sejam sustentáveis, eficientes e menos dependentes de suprimentos enviados da Terra.

Outras iniciativas chinesas reforçam essa abordagem. A constelação de sensores espaciais “Star Eye”, com 156 satélites, transforma conceitos de monitoramento orbital em sistemas operacionais. A primeira academia de navegação interplanetária prepara talentos para futuras missões. Segundo analistas, a China avança em ritmo superior ao que o mundo externo percebe, priorizando soluções de engenharia para problemas reais, como tráfego espacial e logística de reabastecimento.

O desenvolvimento de recursos espaciais estabelece bases estratégicas para as próximas décadas, ampliando a exploração do espaço lunar e profundo. Diferente do turismo espacial, que enfrenta restrições regulatórias e de mercado, o projeto tem objetivos claros, ciclo definido e impacto direto na redução de custos e viabilidade de missões futuras.

Fonte: news.qq