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Amostras da Chang’e-6 revelam materiais de carbono inéditos no lado oculto da Lua

Amostras lado oculto da Lua
Imagem: Jin Liwang/ Xinhua

Pesquisadores chineses encontraram nanotubos de carbono e carbono grafítico naturais em amostras do lado oculto da Lua coletadas pela missão Chang’e-6. O achado, anunciado em 20 de janeiro pela Administração Espacial Nacional da China, é o primeiro registro mundial desses materiais formados naturalmente fora da Terra. Ele também indica que a atividade geológica no lado oculto da Lua é mais intensa do que se imaginava.

Nanotubos de carbono são estruturas microscópicas em forma de tubo, feitas por uma única camada de átomos de carbono enrolada sobre si mesma. Eles combinam alta resistência e excelente condução elétrica e térmica, sendo usados em eletrônicos, armazenamento de energia e materiais avançados. O carbono grafítico, por sua vez, é uma forma de carbono organizada em camadas planas, empregada em lubrificantes, eletrodos e compósitos.

Pesquisadores da Universidade de Jilin aplicaram técnicas combinadas de microscopia e espectroscopia para caracterizar as amostras e identificar os materiais. Pela primeira vez, foi possível traçar os processos naturais que podem ter formado os nanotubos de carbono e o carbono grafítico. Até agora, os nanotubos eram produzidos principalmente de forma artificial.

A análise sugere que condições extremas na superfície lunar, impactos de micrometeoritos, atividade vulcânica e radiação do vento solar, podem gerar nanotubos naturalmente, possivelmente com catálise de ferro.

A comparação com amostras do lado visível da Lua, coletadas pela Chang’e-5, mostrou que os nanotubos da Chang’e-6 apresentam mais defeitos estruturais, provavelmente devido a um histórico maior de impactos de micrometeoritos. Isso revela diferenças na composição e evolução dos dois hemisférios lunares e oferece pistas sobre a evolução geológica da Lua.

Possíveis aplicações futuras

Os nanotubos de carbono podem ser usados na fabricação de dispositivos eletrônicos, materiais de alta resistência e sistemas de armazenamento de energia. O carbono grafítico, por sua vez, serve para produzir lubrificantes, eletrodos e compósitos.

Se houver aproveitamento de recursos lunares no futuro, esses materiais podem ser utilizados na construção de bases lunares, estruturas leves e resistentes e equipamentos energéticos. Além disso, o fato de a natureza conseguir formar nanotubos em condições extremas pode inspirar o desenvolvimento de novos materiais artificiais.

Fonte: news.cctv.com