A inteligência artificial começa a ocupar mais etapas da indústria automobilística chinesa, do desenvolvimento dos veículos à experiência dentro do carro. Geely e BYD apresentaram nesta semana aplicações da tecnologia em áreas como design, engenharia, produção, cabine e condução durante a Conferência Mundial de Veículos de Nova Energia 2026, em Haikou.
A Geely chama essa próxima etapa de “carro definido por IA”. A ideia é que o veículo deixe de depender apenas de funções programadas por software e passe a usar inteligência artificial para interpretar informações, tomar decisões e adaptar determinados serviços ao usuário.
Segundo Li Chuanhai, vice-presidente do Grupo Geely Automobile, a principal diferença está na capacidade de o carro agir de forma mais proativa. A empresa trabalha para integrar sistemas que hoje funcionam em áreas distintas, como condução inteligente, cabine, carroceria, chassi e propulsão.
Um exemplo apresentado pela montadora é o Super Eva, agente inteligente que combina conversação com uma interface capaz de gerar respostas e serviços dentro do próprio veículo. A proposta é permitir que diferentes necessidades do usuário sejam resolvidas diretamente pelo sistema do carro.
Na BYD, a inteligência artificial já é utilizada em pesquisa e desenvolvimento digital, análise de engenharia e manufatura inteligente. Segundo Lian Yubo, cientista-chefe do grupo, a tecnologia tem sido aplicada desde o design até a análise de projetos e também deverá aumentar a eficiência da produção e do funcionamento dos equipamentos.
O uso da IA também começa a aparecer fora do veículo. Durante a conferência, o China Automotive Engineering Research Institute apresentou o NinetyAuto, modelo desenvolvido para auxiliar empresas do setor automotivo em questões regulatórias e processos relacionados à expansão internacional. O sistema pode localizar informações sobre regras e indicar equipes, órgãos e laboratórios envolvidos em projetos no exterior.
Para Cheng Peng, CEO da SEEWAY.AI, os atuais sistemas de assistência à condução representam apenas uma parte desse processo. Ele prevê que, no futuro, chassi, gerenciamento de bateria e até pneus poderão utilizar inteligência artificial para realizar ajustes de acordo com as condições da estrada e os hábitos do motorista.
Na avaliação do executivo, um veículo verdadeiramente “definido por IA” ainda levará alguns anos para se concretizar. Cheng estima que esse estágio poderá ser alcançado entre 2030 e 2035.
Fonte: China News

