Anos de preparação e rotinas de treinamento que chegam a 12 horas por dia levaram 71 brasileiros a Xangai para disputar a WorldSkills 2026, considerada a maior competição internacional de educação profissional do mundo. O torneio reúne jovens de diferentes países em provas práticas de 64 ocupações, entre elas revestimento cerâmico, tecnologia da moda e confeitaria.
Antes do início das provas, os brasileiros visitaram a Escola Comercial de Xangai para uma atividade de intercâmbio com estudantes chineses. Foi ali que Bruno Canuto, competidor de Revestimento Cerâmico, encontrou semelhanças entre sua preparação e a produção de um pequeno broche de esmalte.
Bruno começou a treinar aos 15 anos, sem experiência anterior na atividade. Durante os três anos seguintes, dedicou de oito a nove horas por dia ao aperfeiçoamento de técnicas como corte, reprodução de desenhos e assentamento. No ano passado, participou de uma competição simulada contra competidores chineses no Brasil e perdeu a disputa. Segundo ele, a experiência permitiu observar diferenças na disciplina de treinamento e na precisão dos métodos.
A preparação intensa também faz parte da rotina de Mylena Nogueira, de 21 anos, representante brasileira em Tecnologia da Moda. Nascida em Mato Grosso, ela aprendeu os primeiros passos da costura com o pai e depois aprofundou os conhecimentos em costura industrial, modelagem e design no SENAI. Atualmente, treina entre oito e 12 horas por dia.
Na confeitaria, Maria Luiza, também de 21 anos, levou uma experiência iniciada ainda na infância para o treinamento profissional. Ela começou preparando ovos de Páscoa com a mãe e doces como brigadeiro e, durante o curso profissionalizante, passou a desenvolver outras técnicas. Com a entrada no sistema de competições, intensificou a preparação e passou a estudar também confeitaria francesa e internacional.
Em Xangai, Maria busca um resultado ainda inédito para o Brasil em sua ocupação. Segundo ela, o país ainda não conquistou uma medalha na Confeitaria. “Eu quero poder subir no pódio e falar: ‘Tá, conseguimos, Brasil. Essa é a nossa.’”
A preparação dos competidores brasileiros envolve SENAI e SENAC, que mantêm mais de mil escolas de formação profissional no país. Segundo Carlos Braguini, superintendente de educação profissional e superior do SENAI, o processo específico para as competições dura cerca de dois anos e exige dos participantes horas adicionais de treinamento além das atividades regulares.
Fonte: Xinhua

