Montadoras estrangeiras estão mudando suas estratégias na China depois de perder participação no mercado local para fabricantes chinesas. Marcas estrangeiras e joint ventures respondiam por 61,6% das vendas de veículos de passageiros em 2020, mas essa fatia caiu para 24,5% em junho de 2026. Diante da pressão, grupos como General Motors, Volkswagen, Audi e Renault mantêm investimentos no país e passam a concentrar mais atividades de pesquisa e desenvolvimento em suas operações chinesas.
Parte dessa mudança aparece na renovação de parcerias de longo prazo. A SAIC e a General Motors estenderam sua joint venture até 2047. A GAC e a Honda renovaram o acordo até 2038, enquanto SAIC e Volkswagen mantiveram a cooperação até 2040.
Além de permanecer no mercado, algumas montadoras estão dando mais espaço às equipes chinesas no desenvolvimento de novos veículos. Pela primeira vez, a definição de produtos e o roteiro tecnológico dos próximos modelos da SAIC-GM serão liderados integralmente pela equipe instalada na China, segundo as informações divulgadas.
A Audi também mantém, em parceria com a SAIC, um centro de tecnologia e inovação em Xangai com capacidade para desenvolver veículos completos. A unidade trabalha com eletrificação, sistemas conectados, inteligência artificial aplicada aos veículos e tecnologias de assistência à condução.
Outras empresas seguem estratégias semelhantes. A Renault está transformando seu centro de pesquisa e desenvolvimento na China em uma estrutura voltada à exportação de tecnologia. A Mercedes-Benz, por sua vez, já utiliza um sistema inteligente de comando de voz baseado em modelos de inteligência artificial desenvolvidos no país.
Entre as empresas alemãs do setor automotivo, a presença de atividades de pesquisa e desenvolvimento na China também cresceu. Dados da Câmara de Comércio Alemã citados no levantamento mostram que a proporção dessas companhias com P&D no país passou de 12% para 33% em dois anos.
A mudança altera o modelo tradicional das joint ventures no setor automotivo chinês. Durante anos, essas parcerias foram marcadas principalmente pela entrada de tecnologia estrangeira no país. Agora, parte do desenvolvimento tecnológico realizado na China também passa a ser incorporada às estratégias e aos produtos de grupos internacionais.
Fonte: CCTV

