As exportações chinesas de máquinas e equipamentos de construção somaram US$ 34,373 bilhões no primeiro semestre de 2026, alta de 21,7% em relação ao mesmo período do ano passado. O crescimento ocorre em meio ao aumento das vendas externas de equipamentos elétricos e à oferta de soluções de automação e operação remota por fabricantes chineses.
Os dados da Associação Chinesa da Indústria de Máquinas de Construção mostram que o desempenho foi acompanhado por crescimento em diferentes mercados. As vendas para a União Europeia chegaram a US$ 3,626 bilhões, aumento de 28,9%, enquanto as exportações para os países da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) somaram US$ 5,561 bilhões, alta de 23,6%.
Já os países e regiões participantes da Iniciativa do Cinturão e Rota receberam US$ 14,723 bilhões em equipamentos chineses no período. O valor correspondeu a 42,83% das exportações do setor e ficou 9,13% acima do registrado um ano antes.
A eletrificação aparece entre as mudanças na composição dessa indústria. No primeiro semestre, por exemplo, as fabricantes chinesas venderam 25.445 carregadeiras elétricas, alta de 82,4%. Desse total, 1.643 unidades foram exportadas, crescimento de 172% na comparação anual.
Um dos mercados atendidos por esse tipo de equipamento é o Vietnã. Segundo reportagem publicada pelo Diário do Povo e reproduzida pelo Guangming Online, uma mina no país utiliza mais de 120 máquinas elétricas chinesas, entre escavadeiras, carregadeiras, tratores de esteira e caminhões de mineração. O responsável pela operação afirmou que o uso desses equipamentos reduziu pela metade o custo de extração por tonelada.
Os equipamentos são fornecidos pela fabricante chinesa LiuGong. Para operar em condições de alta temperatura e umidade, a empresa desenvolveu sistemas de baterias específicos para suas escavadeiras e carregadeiras. Segundo a companhia, as baterias podem ser carregadas em cerca de 45 minutos e têm autonomia de oito a dez horas, suficiente para um turno de trabalho.
A eletrificação também altera os custos de operação das minas. De acordo com os dados apresentados na reportagem, o consumo de energia pode representar entre 40% e 50% dos custos operacionais de uma mina, enquanto equipamentos elétricos consomem cerca de um terço da energia utilizada por máquinas equivalentes movidas a combustível. A configuração elétrica também reduz componentes do sistema de transmissão, o que pode diminuir a necessidade de manutenção.
Outra questão é a infraestrutura necessária para operar esses equipamentos em áreas afastadas da rede elétrica. Fabricantes chineses passaram a oferecer sistemas que combinam geração solar, armazenamento em baterias, pontos de recarga e fornecimento móvel de eletricidade. Com essa estrutura, as minas podem instalar microrredes próximas às áreas de operação para abastecer as máquinas.
Automação entra nas exportações
Além dos equipamentos elétricos, fabricantes chineses também levam ao exterior sistemas de gestão de minas, controle de frotas, operação autônoma e comando remoto.
A LiuGong prevê colocar carregadeiras autônomas em operação no Reino Unido e na Austrália ainda neste ano. A empresa também desenvolveu caminhões elétricos autônomos para mineração capazes de trabalhar junto a veículos tripulados e sistemas de controle remoto por 5G para escavadeiras de até 135 toneladas.
A digitalização também chegou às linhas de produção. Na fábrica de escavadeiras da LiuGong, modelos de 13 a 200 toneladas são fabricados em linhas compartilhadas, enquanto sistemas de visão com inteligência artificial verificam possíveis desvios durante a montagem. Em março, a unidade produziu mais de 1.500 escavadeiras, alta de 77,5% sobre o mesmo mês de 2025 e recorde mensal da fábrica.
O crescimento das exportações não se limita a uma empresa. Entre 2020 e 2025, o valor exportado pela indústria chinesa de máquinas de construção quase triplicou, segundo dados do setor. No primeiro semestre de 2026, as empresas exportaram 531,5 mil unidades de diferentes categorias de equipamentos, crescimento de 25,8%.
O desempenho também acompanha o aumento das vendas externas da indústria chinesa de máquinas como um todo. No primeiro semestre, o setor registrou US$ 559,33 bilhões em exportações de mercadorias, alta de 20%, valor equivalente a 26,3% do comércio de bens do país no período.
Fonte: gmw.cn

