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China supera EUA em uso de IA e atinge 4,69 trilhões de tokens por semana

China uso de IA
Imagem: Xinhua

A China superou os Estados Unidos em uso de inteligência artificial e atingiu 4,69 trilhões de tokens por semana em 15 de março, segundo dados da OpenRouter. O país lidera o ranking global pela segunda semana consecutiva, com modelos que também ocupam as três primeiras posições em volume de uso.

Tokens são a unidade básica de processamento em modelos de IA. Textos, comandos e códigos são convertidos nesses elementos para que o sistema execute tarefas. Por isso, o volume de tokens indica o nível de uso e a capacidade de gerar valor econômico. Quanto maior o número, maior a atividade do modelo.

O avanço da China acompanha a expansão das aplicações. A IA deixou de se concentrar em geração de texto e passou a integrar operações empresariais, como análise de dados, automação de processos e processamento de documentos. Setores como finanças, comércio eletrônico, jogos e vídeos curtos concentram parte relevante desse uso.

Projeções do JPMorgan Chase indicam que o consumo de tokens de inferência na China pode crescer de cerca de 10 quatrilhões em 2025 para 390 quatrilhões até 2030. O aumento projetado é de 370 vezes em cinco anos.

O custo explica parte dessa expansão. Modelos chineses oferecem desempenho semelhante ao de concorrentes estrangeiros com preços mais baixos. Essa diferença amplia a base de usuários e acelera a adoção global. O modelo MiniMax M2.5 liderou o uso mundial por cinco semanas consecutivas.

A redução de custos resulta de mudanças técnicas e estruturais. Modelos mais eficientes executam tarefas com menos tokens. Além disso, o custo de energia influencia o preço final. Especialistas do setor estimam que a eletricidade responde por até 80% do custo de computação em IA. O fornecimento estável na China contribui para manter preços mais baixos.

O crescimento do uso elevou a demanda por infraestrutura. Cada interação com IA exige processamento em tempo real. Em centros de computação, operações com 5 mil placas podem gerar cerca de 30 mil yuans por minuto em valor econômico.

Na Ilha de Computação de Mashan, em Wuxi, centros operam de forma contínua para atender essa demanda. Sistemas chegam a processar até 1,25 bilhão de tokens por segundo em momentos de pico. Para manter o desempenho, os engenheiros priorizam tarefas mais rápidas e redistribuem processos mais longos para horários de menor uso.

A pressão sobre a infraestrutura já afeta o mercado. Recursos com alta capacidade de memória estão esgotados em algumas plataformas. Esse cenário elevou os preços de locação desde o terceiro trimestre de 2025. Empresas como Alibaba Cloud, Baidu Smart Cloud e Tencent Cloud anunciaram reajustes, com aumentos de até 34%.

Além da infraestrutura, o setor enfrenta escassez de profissionais especializados. A combinação de alta demanda e limitação de recursos pressiona empresas e indica que a disputa por poder computacional deve continuar nos próximos anos.

Fonte: cctv