Economia

Novo plano chinês quer dobrar PIB per capita e elevar o padrão de vida de seus habitantes

Novo plano chinês
Imagem: Yan Yan/ Xinhua

A sessão legislativa anual da China, encerrada nesta quarta-feira (11), analisou a minuta do 15º Plano Quinquenal (2026–2030), que define as metas econômicas e sociais do país para os próximos cinco anos. O documento também estabelece as bases para o objetivo de longo prazo de modernizar a China até 2035 e prevê dobrar o Produto Interno Bruto (PIB) per capita em relação a 2020, superando US$20 mil.

A escala do projeto não tem precedentes. Menos de 30 países ou regiões alcançaram níveis avançados de modernização, com população total inferior a 1 bilhão de pessoas. A China, com cerca de 1,4 bilhão de habitantes, pretende ampliar esse processo para a maior população do mundo.

Entre as metas sociais previstas para o período estão elevar a expectativa média de vida para 80 anos, ampliar o número de médicos para 3,7 por mil habitantes e aumentar a taxa de urbanização permanente para 71%.

Especialistas apontam desafios estruturais para atingir esses objetivos. A disponibilidade per capita de terras aráveis, água e petróleo na China está abaixo da média global. Além disso, o país enfrenta queda nas taxas de natalidade e envelhecimento acelerado da população. Segundo Fu Zheng, pesquisador da Academia Chinesa de Ciências Sociais, essas condições exigem políticas adaptadas às características econômicas e demográficas do país.

O plano também define metas para inovação tecnológica e desenvolvimento econômico. A China pretende aumentar os gastos nacionais com pesquisa e desenvolvimento em mais de 7% ao ano até 2030 e elevar a participação das principais indústrias da economia digital para 12,5% do PIB.

A estratégia inclui objetivos ambientais. O país pretende reduzir em 17% as emissões de dióxido de carbono por unidade de PIB em relação ao nível de 2025 e ampliar para 25% a participação de fontes de energia não fósseis no consumo total até 2030.

O documento também prevê elevar a capacidade de produção de grãos para 725 milhões de toneladas até o final da década, além de ampliar programas de renovação urbana e investimentos em infraestrutura, incluindo redes de energia, ferrovias de alta velocidade e telecomunicações.

Caso a China avance na modernização de sua população, a proporção da humanidade vivendo em sociedades modernizadas deve aumentar significativamente. Atualmente, cerca de um sétimo da população mundial vive em países com esse nível de desenvolvimento. Com a inclusão da China, esse número pode se aproximar de um terço.

O impacto também pode alcançar o comércio internacional. A China já é o segundo maior mercado importador do mundo. Segundo o ministro do Comércio, Wang Wentao, o país pretende ampliar as importações enquanto mantém estabilidade nas exportações para promover um comércio exterior mais equilibrado.

Para Darren Smith, professor da Universidade de Loughborough e membro da Academia Britânica de Ciências Sociais, a experiência chinesa indica que países em desenvolvimento podem buscar caminhos próprios de modernização, de acordo com suas condições econômicas e sociais.

Fonte: news.cn