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Xangai reúne 300 mil profissionais de IA e lidera aplicação industrial na China

Profissionais de IA
Imagem: Ding Ting/ Xinhua

Xangai concentrou cerca de 300 mil profissionais de inteligência artificial até dezembro de 2025, o equivalente a aproximadamente um terço do total nacional da China. O dado consta no White Paper 2025 de Desenvolvimento “AI+Manufacturing”, compilado pela Associação de Internet Industrial de Xangai. O relatório mostra que grande parte desses profissionais cresceu durante a expansão da internet e hoje atua diretamente na aplicação da IA em setores produtivos, especialmente na manufatura.

No atual ciclo de expansão tecnológica, esses profissionais recorrem à inteligência artificial como ferramenta central de trabalho, assumindo funções de desenvolvimento, validação e aplicação prática de soluções baseadas em grandes modelos.

IA no centro da produção intelectual

Zhai Xingji, fundador e CEO da Language Core (Shanghai) Technology, nasceu em 1996 e lidera uma equipe dedicada ao desenvolvimento de “funcionários digitais”. A empresa atua na integração dessas soluções em setores industriais, com foco na automação de processos cognitivos.

Segundo Zhai, os grandes modelos de linguagem ampliam a lógica da Revolução Industrial. Enquanto a mecanização permitiu a produção em série de bens físicos, a IA cria condições para a produção em série de atividades intelectuais.

Com a entrada desses “funcionários digitais” no mercado de trabalho, Zhai defende que os profissionais humanos precisam redefinir seu papel. Para ele, a permanência no mercado depende da capacidade de trabalhar em conjunto com a IA e de assumir o controle sobre seu uso. Nesse cenário, caberia aos humanos formular problemas e avaliar a qualidade das soluções geradas pelas máquinas.

Resultados como critério no setor industrial

A aplicação da inteligência artificial na indústria exige ganhos mensuráveis. Ru Binxin, cofundador da Guang Dong Pangus Information Technology, afirma que clientes industriais não pagam pela tecnologia em si, mas pelos resultados obtidos. Segundo ele, melhorias marginais não costumam justificar investimentos; apenas avanços claros de eficiência despertam interesse em ambientes industriais. Essa lógica orienta a adoção da IA em fábricas e cadeias produtivas, onde o foco está na redução de custos, no aumento de produtividade e na confiabilidade dos processos.

Ciclos de inovação mais curtos

Li Lijun, fundadora da Qiaochuang Tech, avalia que a inteligência artificial reduziu de forma significativa o tempo necessário para validar novas soluções. Para ela, os profissionais da área dispõem hoje de ferramentas capazes de acelerar testes, ajustes e implementações em diferentes setores.

Li incentiva usuários a testarem as ferramentas de forma crítica e a reportarem falhas quando necessário. Segundo ela, o retorno direto dos usuários orienta o aprimoramento contínuo das soluções desenvolvidas por equipes de IA.

Especialização e domínio do setor

Li Lijun também destaca que o impacto de uma ferramenta de IA depende do nível de conhecimento setorial de quem a utiliza. De acordo com ela, a capacidade de gerar valor está diretamente ligada à compreensão dos problemas específicos de cada indústria.

A executiva defende que equipes de tecnologia devem se aprofundar nos setores em que atuam e atrair profissionais com experiência prática. Para ela, a capacidade de resolver problemas concretos é o principal critério de valor profissional, independentemente do cargo ou da hierarquia ocupada.

Fonte: chinanews.com