Entre janeiro e agosto de 2025, a receita internacional de microdramas chineses atingiu US$1,525 bilhão, alta de 194,9% na comparação anual. No mesmo período, aplicativos internacionais do setor somaram 730 milhões de downloads, avanço de 370,4%. Analistas projetam que o mercado externo pode superar o doméstico até 2027. Esse movimento tem em Hengdian World Studios, em Zhejiang, um dos principais polos de produção e exportação do formato.
Hengdian é a maior base de filmagens de cinema e televisão do mundo. Até o fim de 2025, produziu 4.016 microdramas por meio do Centro de Operações de Dramaturgia em Tela Vertical, dos quais 10% foram exportados. O volume rendeu ao complexo o apelido de “Loja Vertical”. A infraestrutura inclui quase mil cenários profissionais, mais de 140 mil figurantes e 15 mil trabalhadores técnicos. Segundo Shi Haigang, do Instituto de Pesquisa da Indústria Cultural de Cinema e Televisão de Hengdian, essa estrutura oferece vantagem competitiva para acelerar a internacionalização.
No primeiro trimestre de 2025, empresas chinesas lançaram 237 aplicativos de microdramas no exterior, quase quatro vezes mais que em 2024, acumulando 270 milhões de downloads. A base de conteúdo combina cenários históricos, urbanos e internacionais, fator que atrai produções com orçamentos curtos e prazos rígidos. Fu Weibing, da Hengdian Heritage, afirma que a divisão clara de funções e a coordenação operacional permitem cumprir cronogramas apertados.
O governo local lançou políticas de apoio que cobrem toda a cadeia: criação, filmagem, produção, distribuição e exportação. O Centro de Operações de Dramaturgia Vertical oferece serviços integrados, e a Aliança Internacional de Microdramas reúne faculdades de cinema, empresas e instituições internacionais. Segundo Guo Shu, da Hengdian World Studios, a estratégia inclui formação de talentos, treinamento de atores estrangeiros e intercâmbios entre equipes.
A tradução e a mediação cultural são pontos críticos. Obras precisam transmitir o conteúdo e a cultura de forma compreensível para outros mercados. A Rongge Short Drama adotou o modelo “um drama por região”, traduzindo obras para mais de 10 idiomas e distribuindo-as para mais de 200 países. Zhou Yingying, responsável pela marca, afirma que internacionalizar significa reconstruir conteúdo e emoção conforme o contexto local, não apenas traduzir diálogos. Para isso, a empresa criou equipes dedicadas ao mercado externo e adotou um modelo de coautoria com roteiristas locais.
A Huanyu Film & Television segue linha semelhante. Li Di explica que obras filmadas em Hengdian incorporam elementos do patrimônio cultural imaterial chinês, distribuídos em mais de 60 títulos, 20 idiomas e 200 países. Plataformas de streaming ampliam o alcance. Segundo Li, a empresa coopera com mais de 40 serviços internacionais, como Netflix, Disney+ e HBO.
Apesar do avanço, o setor enfrenta desafios. A expansão internacional carece de padrões unificados de gestão, de regulamentação e de critérios para atores estrangeiros. Guo Shu afirma que sua equipe produziu um “Guia para Microdramas Internacionais”, com dados sobre leis, distribuição e direitos autorais de mercados como Europa, América e Sudeste Asiático. Estúdios e escolas também adaptam currículos. Yang Weice, da Faculdade Profissional de Cinema e Televisão de Hengdian, informa que os alunos formam equipes interdisciplinares para desenvolver roteiros e produções voltadas ao exterior.
Especialistas consideram que o conteúdo continua sendo o fator decisivo. Para ampliar a qualidade, Hengdian investe em inteligência artificial aplicada ao audiovisual, pesquisa cultural de mercados estrangeiros e atualização de cenários. O objetivo é transformar microdramas em produto cultural escalável e global, sustentado por infraestrutura, distribuição e tradução.
Fonte: gmw


Adicionar Comentário