Tecnologia

China leva quase 30 empresas de robótica à CES 2026 e intensifica internacionalização

Robótica CES 2026
Imagem: Zeng Hui/ Xinhua

Na CES 2026, realizada entre os dias 6 a 9 de janeiro, em Las Vegas (EUA), fabricantes chineses de robótica ampliaram sua presença e buscaram clientes internacionais para acelerar pedidos, entregas e distribuição. O evento registrou cerca de 30 empresas chinesas com estandes independentes, número superior aos aproximadamente 10 do ano anterior.

O objetivo das empresas foi testar produtos no mercado global, fechar pedidos no local e construir canais de distribuição. A estratégia decorre da fase de comercialização da robótica na China desde 2025, quando pedidos e entregas passaram a influenciar o acesso a financiamento. Além disso, a competição no mercado interno se intensificou, pressionando preços e margens.

O fluxo no Pavilhão Norte, onde se concentram as empresas chinesas, foi alto desde a abertura. Visitantes perguntaram sobre preços, aplicações e condições para se tornar distribuidor. Empresas como Unitree, Zhiyuan e Accelerated Evolution exibiram robôs humanoides, quadrúpedes e componentes. A Sharpa Robotics, sediada em Cingapura, realizou demonstrações interativas para disputar atenção no mesmo segmento.

Preparar um estande na CES exige planejamento de seis meses a um ano, além de custos de material, logística, viagem e taxas. Mesmo assim, parte dos fabricantes considera a feira um canal global relevante para prospecção. A Accelerated Evolution informou ter vendido dezenas de unidades do robô humanoide Booster K1 no primeiro dia da feira.

Os clientes interessados incluíram startups de IA, universidades, hotéis, restaurantes, distribuidores e parques temáticos. Para converter vendas, as empresas ofereceram descontos, suporte técnico e entrega local. A demanda por suporte pós-venda é central, já que a instalação de robôs exige adaptação e configuração. Para reduzir riscos, fabricantes chineses afirmaram que treinam parceiros locais e fortalecem operações regionais.

A Magic Atom declarou que priorizará entrega local em mercados desenvolvidos. A Songyan Power informou que implantará um sistema ERP+MES para pedidos internacionais e mira América do Norte, Oriente Médio, Europa, Sudeste Asiático, Japão e Coreia, com meta de enviar milhares de unidades no segundo trimestre de 2026.

A presença chinesa na CES indica uma disputa crescente entre empresas dos EUA e da China. Nos Estados Unidos, o setor tem vantagens de capital e talento, mas enfrenta custos industriais altos. Na China, a base industrial favorece a produção de hardware e componentes, como redutores harmônicos, que já alcançaram mais de 40% do mercado interno, segundo relatório da China Post Securities.

Apesar da vantagem industrial, as empresas chinesas reconhecem desafios nos mercados ocidentais, onde a adoção tende a ser mais conservadora e orientada a aplicações industriais e redução de custos. Para avançar, fabricantes afirmam que precisam provar viabilidade, formar distribuidores locais e criar casos de uso replicáveis.

Hoje, a Accelerated Evolution afirma que mais de 40% de sua receita vem do exterior e que pretende acelerar a expansão global.

Fonte: 36kr