Empreendedorismo

China amplia política das “Duas Novas” para impulsionar investimentos, consumo e modernização da manufatura

Política Duas Novas China
Imagem: Wang Quanchao/ Xinhua

A China ampliou em 2026 a política das “Duas Novas” para estimular investimento e consumo na manufatura. As medidas atuam no setor industrial e no mercado de bens duráveis, com o objetivo de renovar equipamentos, acelerar a substituição de produtos usados e promover integração entre empresas de diferentes portes. O governo implantou a política para atender à demanda de mercado e apoiar a transição do país de grande produtor para potência industrial.

A Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma e o Ministério das Finanças emitiram um comunicado recente para ampliar o escopo de apoio, os padrões de subsídio e os mecanismos de implementação. O governo também liberou antecipadamente o primeiro lote de RMB 62,5 bilhões em títulos especiais de longo prazo para 2026, destinado ao programa de troca de bens de consumo usados por novos.

Desde a implementação, a política impulsionou investimentos em fabricação de equipamentos, bens de consumo e tecnologia da informação. Esses investimentos fortaleceram a modernização da manufatura e alinharam oferta e demanda.

A renovação de equipamentos tem foco na indústria manufatureira. A China ocupa o posto de maior volume industrial do mundo há 15 anos consecutivos e opera um sistema industrial completo com equipamentos-chave em larga escala. Esse cenário cria potencial de substituição, porque máquinas tradicionais apresentam limites de desempenho e eficiência energética. Empresas do setor passaram a demandar equipamentos de alta precisão, flexibilidade e menor consumo de energia.

Esse movimento afeta o ritmo do investimento. Entre janeiro e novembro de 2025, o investimento em aquisição de máquinas e equipamentos cresceu 12,2% em termos anuais e contribuiu com 1,8 ponto percentual para o crescimento do investimento total. A participação desse tipo de investimento atingiu 17,4% do total, um avanço de 2,3 pontos percentuais em relação ao mesmo período de 2024.

A política também movimenta o consumo e abre espaço de mercado. Um volume elevado de bens duráveis entrou em ciclo de substituição, e os subsídios reduziram o custo para o consumidor. Em 2025, as vendas relacionadas à troca por novos ultrapassaram RMB 2,6 trilhões. O programa incluiu mais de 11,5 milhões de veículos, mais de 129 milhões de eletrodomésticos, mais de 91 milhões de celulares e produtos digitais, mais de 120 milhões de itens para reforma de cozinhas e banheiros e mais de 12,5 milhões de bicicletas elétricas. Esse volume absorveu capacidade produtiva, garantiu receitas às empresas e estimulou o consumo em cadeias correlatas.

A política também induz melhoria técnica. A substituição de equipamentos aumenta a eficiência, ajusta processos produtivos e eleva a competitividade. Empresas empregam parte desse ganho para ampliar pesquisa e desenvolvimento e desativam capacidade obsoleta. Com isso, a participação de capacidade produtiva avançada cresce e altera o padrão da manufatura para um modelo mais intensivo em tecnologia e eficiência.

O programa de troca de bens de consumo reforça essa dinâmica. Produtos inteligentes e sustentáveis ganham participação no volume substituído. Veículos de nova energia representam quase 60% dos automóveis trocados. Entre os eletrodomésticos substituídos, mais de 90% possuem nível máximo de eficiência energética ou hídrica. Para capturar essa demanda, empresas desenvolvem tecnologias, ajustam processos e lançam produtos alinhados ao consumo verde e inteligente. A atualização integrada das cadeias industriais gera ganhos em componentes e materiais, criando um ciclo em que a demanda induz oferta e a oferta abre nova demanda.

A atualização da política das “Duas Novas” também amplia o acesso de pequenas e médias empresas (PMEs). O governo simplificou processos, reduziu o valor mínimo de investimento e expandiu a cobertura dos subsídios. Antes da revisão, muitas PMEs enfrentavam dificuldades de financiamento e custos elevados, o que limitava a renovação de equipamentos. A nova política combina subsídios e instrumentos de mercado para direcionar recursos para modernização tecnológica e renovar o parque industrial. Isso reforça a competitividade e estimula integração entre empresas de diferentes portes.

A política das “Duas Novas” avança sobre investimento e consumo, alinhada à demanda do mercado. Ao modernizar equipamentos, substituir produtos usados e integrar cadeias industriais, o plano fortalece fundamentos para o desenvolvimento industrial da China e acelera sua transição para potência manufatureira.

Fonte: gmw.cn